Prever se uma mulher vai ou não apresentar a depressão pós parto - problema caracterizado, principalmente, pela perda do interesse nas atividades anteriormente consideradas agradáveis - ainda é algo muito difícil. A obstetra Eliza Yoshiko Kochi Silva, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), encontrou um fator presente em 58% de 24 mulheres que apresentaram depressão pós-parto durante o exame pré-natal: algum episódio de violência doméstica. Elas tiveram partos com gestações de, no mínimo, vinte semanas, sem intercorrências.
Esta não é a única descoberta de Eliza. Ela também pode associar a violência doméstica durante a gravidez com a engorda inadequada e o início tardio do exame pré-natal. Estas 24 mulheres só vieram a procurar assistência médica no segundo trimestre de gestação. Em seu estudo, no qual analisou mulheres que tinham feito seu parto no Hospital do Servidor Público do Estado, Eliza fez uso da Escala de Edimburgo - método utilizado para rastrear a depressão pós-parto (ver quadro).
Eliza explica que, por meio de dez perguntas, todas alusivas ao estado psicológico da nova mamãe, a mulher é avaliada em relação ao risco de depressão. A pontuação varia de um País para o outro. No Brasil, uma pontuação acima de 11 significa que a mulher precisa de ajuda especializada. Apesar de simples e eficiente, a Escala de Edimburgo ainda é pouco usada. ‘‘O questionário pode ser aplicado por qualquer profissional de saúde e tem bons resultados’’, enfatiza Eliza.
Vladimir Bernik, coordenador da equipe de psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, explica que ‘‘a depressão pós-parto geralmente surge no primeiro mês após o nascimento do bebê.’’ Segundo ele, neste período, a mulher que apresenta o transtorno pode manifestar alterações de comportamento e se tornar agressiva com as demais pessoas, incluindo o bebê.
Vale ressaltar que nem todos os casos de agressão contra bebês noticiado pela mídia são motivados por depressão pós-parto. ‘‘Algumas vezes, a mulher abandona o filho em uma tentativa de se desfazer de uma preocupação. Isso faz dela uma sociopata’’, considera Bernik.
Psiquiatra e psicanalista do Hospital do Servidor Público de São Paulo, Durval Mazzei Nogueira Filho lembra que, assim que se diagnostica a depressão pós-parto em uma mulher, um psiquiatra poderá receitar alguns tipos de antidepressivos, neurolépticos (ou antipsicóticos, medicamentos que possuem ação sedativa), além de psicoterapia.

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