Observatório vai fiscalizar projetos da Mata Atlântica
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quarta-feira, 10 de novembro de 2004
Christiane Peres<br>Agência Brasil 
Brasília, DF - A cada quatro minutos, uma área equivalente a um campo de futebol é destruída na Mata Atlântica. O atraso de 12 anos na aprovação do projeto de lei que proíbe o corte e a exploração vegetal nativa da mata contribuiu para o desmatamento de 10 mil quilômetros quadrados. Como esse, existem 26 projetos de lei que tratam de questões ambientais parados no Congresso Nacional à espera de aprovação.
Para evitar maiores prejuízos e fiscalizar o trabalho dos parlamentares, a Fundação SOS Mata Atlântica lançou ontem o Observatório Parlamentar da Mata Atlântica. ''O que nós estamos fazendo hoje é trazer para a sociedade, por meio do observatório, todos os passos desse projeto de lei para fazer com que a sociedade possa interagir com os deputados que estão nas comissões'', disse o diretor de Relações Institucionais da entidade, Mário Mantovani.
O documento faz um relato dos projetos que estão tramitando no Congresso. ''Como um instrumento de constante acompanhamento, ele não se esgota em si mesmo, pois apresenta alguns dos principais projetos e atividades do Congresso Nacional relacionados à Mata Atlântica'', acrescentou Mantovani.
Ele lembrou que, ao longo desses 12 anos, o projeto foi atualizado e, hoje, está de acordo com a Lei dos Recursos Hídricos, com a Lei dos Crimes Ambientais, com a Lei das Unidades de Conservação. ''Nós aproveitamos toda experiência e avanços que nós fizemos nas negociações. Ao longo do tempo, fomos aprendendo a trazer a questão da mata para o dia-a-dia das pessoas, como, por exemplo, relacionar a Mata Atlântica com a água que a gente bebe, com o clima da cidade e não só com o mico-leão-dourado. Isso fez com que houvesse uma grande aproximação das pessoas.''
Na opinião do deputado João Alfredo (PT-CE), o trabalho desenvolvido pela organização não-governamental SOS Mata Atlântica vai além da questão ambientalista. ''Os olhos da sociedade estão voltados para o que acontece na Casa, por isso, é uma questão de cidadania'', afirmou.
Hoje, restam menos de 7,3% da área original da mata, que já foi de 1,3 milhão de quilômetros quadrados.


