O OGPL (Observatório de Gestão Publica de Londrina) contesta o reajuste nos vencimentos da diretoria da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), aprovado pelo Conselho de Administração, que assumiu o mandato no fim de abril. O órgão de fiscalização popular considera que o valor do reajuste não condiz com a realidade econômica brasileira e vai pedir documentos para analisar a legalidade do reajuste.

Os salários dos diretores da companhia de economia mista saltaram de R$ 11 mil para R$ 15 mil (36%) e o do presidente, Marcelo Cortez, subiu de R$ 16,6 mil para R$ 19 mil (14,5%). O presidente do OGLP, Roger Trigueiros, recorda que o cargo de presidente tinha vencimentos aproximados de R$ 12,3 mil em 2013. "É um aumento bem acima da inflação do período", ressalta.

Segundo Trigueiros, o observatório vai encaminhar ofícios para obter documentos necessários à análise da legalidade, como a ata da reunião que autorizou o reajuste, a comparação entre os salários do presidente da CMTU e do prefeito Marcelo Belinati (PP) e, caso o novo salário ultrapasse o do prefeito, se há legislação que permita isso. "Mas, independente desta análise mais profunda, a gente [OGPL] entende que não caberia esse aumento, porque é inoportuno, numa situação de crise do país", justifica.

A FOLHA tentou entrevistar um representante da companhia de trânsito, mas a assessoria informou que só se manifestaria por nota. No documento, a CMTU alega que a nomeação de cargos comissionados é subordinada à Lei das Estatais, que obriga que o detentor tenha conhecimentos técnicos na área, e que o reajuste levou em consideração valores pagos nas outras companhias públicas do município. "Convém sobrelevar que a readequação levou em consideração o momento econômico da CMTU e sua capacidade de pagamento", afirma.

Para Trigueiros, as justificativas são insuficientes. "Que momento econômico é este da CMTU, que vive alegando estar em crise e sem recursos? Além disso, provavelmente seria possível colocar nos cargos comissionados servidores de carreira, que poderiam ter interesse em assumir as funções", afirma.

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