Obrigatoriedade do kit deve cair hoje no Senado
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Agência Estado 
Três meses após ter se tornado obrigatório nos veículos de todo o País, o kit de primeiros socorros deve ser excluído hoje da relação de equipamentos exigidos dos motoristas. O fim da exigência está previsto no projeto de lei do deputado Padre Roque (PT-PR) que será votado nesta terça-feira pelos senadores.
O texto já foi aprovado na Câmara e para entrar em vigor - ou seja, para que os motoristas possam levar o kit para casa -, falta ser aprovado no Senado e receber a sanção do presidente Fernando Henrique Cardoso. A expectativa é de que o projeto seja aprovado por ampla maioria. Vejo esse kit como uma bobagem sem igual, defendeu o senador Ramez Tebet (PMDB-MS).
Incluído na lista de equipamentos obrigatórios nos veículos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a partir do primeiro dia deste ano, o kit se tornou uma unanimidade nacional, ao ser criticado pelos mais variados setores. A principal preocupação de autoridades ligadas a prevenção de acidentes é quanto ao uso inadequado de seus componentes, o que poderia agravar ainda mais a situação de acidentados.
Para o Padre Roque, o kit foi criado apenas para fomentar o lucro dos fabricantes dos materiais. Na opinião do senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), o Contran deveria, sim, é se empenhar em tornar obrigatório o plantão médico nas auto-estradas. Acho que ninguém tem como defender esse kit, alegou.
A empresa Cremer, fabricante de produtos têxteis hospitalares, distribuiu a jornalistas um kit completo, com ressuscitadores cardiopulmonar, lanterna e outros itens que não constam na maioria dos estojos vendidos em farmácias. Anexo ao brinde há uma carta e um folheto com as instruções que devem ser adotadas em casos de acidentes automobilísticos. Mas a empresa não conseguiu explicar em que situações o kit de primeiros socorros pode ser útil.
O senador Jefferson Péres reclamou do fato de o kit ter se tornado obrigatório à revelia dos parlamentares que debateram e aprovaram o código. Segundo ele, o kit é uma inutilidade que não pode continuar.


