Obrigada a prender cabelo black power para foto de passaporte
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Cristina Camargo<br>Folhapress 
São Paulo - Ao procurar um posto da Polícia Federal em Salvador para solicitar um passaporte, na quarta-feira, a jornalista Lília de Souza, de 34 anos, teve de prender os cabelos estilo "black power" para fazer a foto que será usada no documento. Segundo ela, após várias tentativas de tirar a foto com os cabelos soltos, uma policial disse que o sistema eletrônico não estava aceitando a imagem por causa do cabelo.
"Fiquei muito constrangida. Eu ainda insisti em fazer a foto com o cabelo solto, a policial tentou algumas vezes e o sistema não permitiu", escreveu Lília em sua página no Facebook.
A jornalista contou que prendeu o cabelo com um elástico emprestado pelos policiais e o sistema funcionou. "Saí de lá arrasada", declarou Lília. Ela contou que, depois de chorar do lado de fora do posto, voltou ao local para protestar.
Segundo a jornalista, as policiais disseram que não se tratava de racismo, mas que o sistema de fotos é problemático e, por isso, às vezes também é difícil fazer imagens de pessoas muito negras. Nesses casos, é preciso clarear um pouco a imagem.
Ela ressaltou em sua página do Facebook que não tem nenhuma queixa contra as três policiais que a atenderam, mas sim em relação ao sistema eletrônico. Em nota, a Polícia Federal informou que adota um sistema com padrão da Organização da Aviação Civil Internacional, que exige requisitos mínimos para a identificação dos viajantes. O sistema pode reprovar uma foto por várias razões, o que exige que a imagem seja refeita em situações como cabelo solto, na frente dos olhos ou com muito volume, entre outras.


