Rio, 18 (AE) - A orla marítima do Rio está ameaçada de sofrer consequências ambientais graves com as obras no emissário de Ipanema, no início de abril. Serão despejadas seis toneladas de esgoto in natura por segundo em quatro pontos da orla. O banho de mar deverá ser probido, durante 16 dias, pela Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema), partir do 7 ou 8 de abril. "A situação é muito séria", disse o prefeito Luiz Paulo Conde. "O governo e Companhia Estadual de água e Esgoto (Cedae) fizeram o planejamento da obra, mas esqueceram o meio ambiente", acusou Conde, referindo-se ao ofício enviado pela Cedae à Prefeitura comunicando a obra, sem, no entanto, uma avaliação dos efeitos ambientais.
O emissário deixará de funcionar para que o pilar 505 de sustentação seja reconstruído. Com isso, seis toneladas de esgoto serão jogadas nas praias da Urca, Botafogo, Costa do Vidigal e São Conrado. A situação mais crítica é da Praia de Botafogo. De acordo Secretário Municipal de Meio Ambiente, Maurício Lobo, o volume de esgoto a ser lançado - três metros cúbicos de material sólido por segundo - o que equivale a 520 mil caixas dágua de mil litros, em 16 dias contínuos.
"Isso vai provocar a formação de uma camada uniforme de lodo de três centímetros em toda a enseada de Botafogo, o que poderia acontecer em décadas", disse Lobo. Conde acrescentou o programa de despoluição da Baía de Guanabara será afetado. O prefeito disse que se houver chuvas fortes o esgoto depositado no Costão do Vidigal se deslocará para as praias de Leblon Ipanema e Arpoador.
No início de janeiro, foi realizado uma obra no emissário para recuperação de três pilares. Por causa da estrutura precária a obra teve que ser prorrogada.

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