São paulo, 29 (AE) - Durante palestra para empresários do setor de máquinas e equipamentos realizada hoje em São Paulo, o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, afirmou que o Plano Plurianual (PPA) do governo federal prevê investimentos de R$ 36 bilhões na infra-estrutura de transportes. Os investimentos em equipamentos ficarão sob responsabilidade da iniciativa privada.
De acordo com ele, a prioridade do governo será incrementar as hidrovias e os portos. Ele acredita que essas obras estimularão a criação de empregos. "A cada R$ 1 milhão investido no setor de transportes, cria-se 150 empregos diretos e 300 indiretos", declarou.
Padilha comemorou os resultados das privatizações dos portos e informou que o governo destinou R$ 1,012 bilhão para investimentos portuários até 2003. Ele declarou, porém, que o governo está pressionando a iniciativa privada para que corte ainda mais os custos de operação nos portos, já que as tarifas interferem diretamente na competitividade dos produtos brasileiros que são exportados.
O ministro afirmou que o governo precisa ainda pavimentar 36 mil quilômetros de rodovias. Já existem 53 mil quilômetros pavimentados. A meta do governo é conceder 20 mil quilômetros de rodovias à iniciativa privada para a realização de recuperação e manutenção das vias, mas sem a cobrança de pedágio.
Este projeto é chamado Crema (Concessão para a Manutenção Rodoviária). "Já existem 99 consórcios qualificados para esse tipo de concessão, que será utilizada nas áreas mais pobres do País, como o Norte e Nordeste, onde a iniciativa privada não tem interesse de investir e a renda per capita não sustenta a cobrança de pedágio", explicou Padilha.
Caminhoneiros - Padilha informou que o governo Fernando Henrique Cardoso manterá um grupo de trabalho em ação permanente para negociações com os caminhoneiros autônomos. Segundo ele, o governo está cumprindo a sua parte nas negociações, com o objetivo de evitar outra greve como a que paralisou o País este ano. Ele acredita que foi um avanço à alteração do limite de pontuação do Código de Trânsito Brasileiro de 20 para 30 pontos para os caminhoneiros que não cometeram infrações gravíssimas.
Eliseu Padilha não quis comentar o projeto de lei que cria pedágio nas Marginais de São Paulo, um dos principais corredores de tráfego do País. De acordo com ele, esta medida é de caráter municipal. Padilha também não acredita que o pedágio nas Marginais será um ponto de discórdia nas discussões com os caminhoneiros autônomos.
"Futrica" - Padilha negou-se a comentar a afirmação do candidato à Presidência Ciro Gomes (PPS) de que existe corrupção no Ministério dos Transportes, particularmente no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). "Não comento futrica"
afirmou o ministro. Segundo ele, o DNER já adotou as medidas necessárias para investigar as irregularidades que foram apontadas no departamento.

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