Obras do trecho oeste do Rodoanel devem atrasar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Andréa Portella 
São Paulo, 30 (AE) - Embora o prazo oficial para a entrega do trecho oeste do Rodoanel ainda seja julho de 2001, na empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) já se fala em concluir a obra apenas no fim do próximo ano. O motivo do atraso seriam problemas com desapropriações necessárias à execução dos trabalhos.
Em entrevista, o gestor das obras do anel viário, Raymundo dElia Júnior, afirmou que a conclusão do trecho deve ficar para o fim do segundo semestre. Ele disse que os técnicos estão agora recuperando os atrasos causados, principalmente, por desapropriações.
O presidente da Dersa, Sérgio Gonçalves Pereira, contestou a informação. "O prazo que estou lutando para cumprir é julho de 2001", disse Pereira. "Pode escorregar um ou dois meses, mas seis meses, não."
DElia garantiu ao Estado que não faltam verbas para o Rodoanel. "É que os processos de desapropriação são complicados", explicou. "Dependemos também da vontade dos proprietários."
Segundo o superintendente jurídico da empresa, Oscar Emilio Welker Junior, as desapropriações, agora, estão num ritmo bom. "Já atingimos 70% da área que precisava ser utilizada para o trecho oeste", afirmou. Ele pretende a 90% nos próximos dois meses.Até agora, foram gastos R$ 130 milhões com desapropriações. Estimativas da Dersa indicam que esse valor deve aumentar para, pelo menos, R$ 200 milhões até o fim das obras.
O trecho oeste do Rodoanel já custou R$ 142 milhões, 20 28% do total previsto (R$ 700 milhões). Desse valor, R$ 53,8 milhões correspondem a investimentos do governo do Estado. O restante veio da União. Pelo acordo inicial, o Estado entraria com 50% da verba; a Prefeitura e o governo federal dariam, cada um, 25%.
Embora o prefeito Celso Pitta (PTN) tivesse assumido o compromisso de obter a liberação da verba, o projeto nem sequer foi votado pela Câmara até hoje. No Orçamento deste ano constava a dotação de apenas R$ 1 milhão para o anel viário. Em meio à recente crise com o Estado por causa dos perueiros clandestinos, Pitta mudou de posição e anunciou que remanejaria a verba para investimentos em segurança.
Lotes - Alegando falta de dados atualizados, a Dersa não forneceu detalhes sobre o andamento do serviço em cada um dos seis lotes nos quais há canteiros de obra. DElia Junior limitou-se a dizer que o lote 3 é o que está com o trabalho mais atrasado. Segundo ele, as obras em estágio mais avançado são as dos trechos 1, 4 e 6. Depois de concluído o trecho oeste, o governo estuda entregar a construção dos trechos norte, sul e leste à iniciativa privada. Os técnicos ainda não definiram o traçado do restante do anel viário. Outra pendência diz respeito à conclusão dos estudos de impacto ambiental.


