Obras do Residencial Alegro Villagio serão retomadas na próxima semana
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segunda-feira, 01 de julho de 2019
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 

Depois de muito esperar a casa própria, os contemplados do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida vão se agarrar a mais uma esperança, prometida nesta segunda-feira (1) pelo Município e pela Caixa Econômica Federal: as obras do Residencial Alegro Villagio, na região sul de Londrina, serão retomadas na próxima semana. Na manhã desta segunda-feira foi assinada a ordem de serviço para a conclusão das obras, que devem levar até 12 meses, e serão executadas por uma empresa de São Paulo. As edificações começaram em 2014 e deveriam ter sido finalizadas em 2017, mas congelaram em 90%, na fase de conclusão. A empreiteira deixou o serviço e foi necessária uma nova licitação.
Agora, a obra ficará 24% mais cara: o que antes era orçado em pouco mais de R$ 9 milhões, serão acrescidos R$ 2,2 milhões devido à depredação. No Allegro, cada apartamento tem 43 metros quadrados, com um banheiro, sala, cozinha e uma pequena lavanderia. “Estamos na fase de acabamento interno, colocação de portas, aparelhos sanitários e a parte de circulação dentro do condomínio”, explica o presidente da Cohab (Companhia de Habitação de Londrina), Luiz Cândido de Oliveira.
Continua valendo o sorteio das famílias selecionadas em 2017 para receber os imóveis. Oliveira lembra apenas que será apurado se houve alguma alteração dentro da composição dessas famílias. “Checaremos a renda, se estão vivos, se a família vai continuar no processo de seleção. Com desistência das famílias já selecionadas, muda o ranking da seleção”, explica.
Sorteada há dois anos, Cristiane Ridão, 38, ainda aguarda para poder financiar o próprio apartamento. Por enquanto, ela mora no Conjunto Cafezal 1, na região sul. “Mal vejo a hora”, disse.
Mesmo que o prazo para a conclusão seja para julho do ano que vem, os responsáveis pela empreiteira G. Fernandi Construção e Incorporação Ltda. afirmam que em até oito meses as obras devem estar prontas.
O prefeito Marcelo Belinati (PP) ressalta que a retomada das 144 unidades do empreendimento que estava paralisado é de suma importância para as famílias que aguardavam o sonho de ter uma casa e sair do aluguel. “A obra vem se somar às ações da Cohab no sentido de promover a regularização fundiária para atender às famílias que precisam de moradias populares”, disse. Belinati lembra que se tratou de um trabalho conjunto, uma somatória de esforços com o deputado federal Filipe Barros (PSL), representantes da Secretaria Nacional de Habitação e do MDR (Ministério do Desenvolvimento Regional) para a liberação de recursos do governo. “Esperamos até o fim do ano o início da construção de mais de mil moradias”, acrescentou o prefeito.
FLORES DO CAMPO
Segundo a Cohab, Londrina tem atualmente 61 ocupações irregulares e 12 mil famílias desassistidas de moradia digna. A maior ocupação da cidade trata-se, como o Allegro, um empreendimento ligado à Caixa Econômica Federal que foi abandonado. O residencial Flores do Campo, na zona norte, ainda aguarda decisões.
Esse residencial tem, porém, um agravante em relação ao Allegro: com a interrupção das obras, 145 famílias ocupam o local irregularmente. A obra parou em 40% e foi muito depreciada. Segundo Oliveira, a Cohab esteve em Brasília dialogando com o Ministério e a Secretaria Nacional de Habitação para conseguir a retomada do empreendimento junto à Caixa.
Só após a saída dos residentes do Flores do Campo, a Caixa poderá fazer novos cálculos para retomar as obras. A reintegração de posse – tentada pela Caixa em outras ocasiões, mas sem sucesso – é um processo complexo, como lembra o presidente da Companhia. “Por vezes a Defensoria Pública da União tem pedido para que seja dado maior tempo.” Na iminência do processo de reintegração, cujo prazo vence em agosto, não foi dada ainda uma solução para as famílias que residem no Flores do Campo.
A proposta inicial da Cohab é que elas fossem realocadas para um terreno no conjunto João Turquino, na zona oeste. “Desde o início estamos com a pretensão de realocação das famílias, no entanto, aquele terreno não tem a capacidade para abranger as 145”, afirma Oliveira.
Em processo de votação na Câmara Municipal, a Cohab espera que as famílias possam ser realocadas também para o jardim Maria Lúcia, também na zona oeste. “Enquanto a Câmara não votar favoravelmente ao projeto, não temos posse nem propriedade do imóvel, estamos estagnados em apenas 27 lotes [do João Turquino]”.


