Obras do PAR em SP só devem começar em outubro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Denise Ramiro 
São Paulo, 29 (AE) - O vice-presidente de Habitação Popular do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), João Cláudio Robusti, disse que "se tudo correr bem" o início das obras relativas ao Programa de Arrendamento Residencial (PAR) só deve ocorrer dentro da 90 dias, ou seja, em outubro. O governo anuncia contratações em 60 dias.
Robusti disse acreditar na boa vontade dos governos paulista e federal, mas duvida da intenção de algumas prefeituras em aderir a um esforço conjunto para viabilizar o mais rápido possível o programa. Ele exclui a prefeitura do município de São Paulo do grupo de administrações municipais que "não estão tão empenhadas" neste esforço. "A prefeitura de São Paulo está bem aderente ao PAR, até porque, seu apoio favorece a imagem desgastada da atual administração"
Para o vice-presidente de Habitação Popular, a prova do empenho político ao Programa é a assinatura do convênio de R$ 1 2 bi entre o governo e a Caixa Econômica Federal para a construção de moradias populares no Estado por meio do PAR e da Carta de Crédito. A assinatura do convênio ocorreu na última sexta-feira e contou com a participação do presidente Fernando Henrique Cardoso. Robusti disse que dos R$ 1,2 bilhões, R$ 900 mi serão destinados ao PAR em São Paulo, para a construção de 60 mil das 200 mil moradias previstas no programa em todo o País.
Robusti contesta, porém, o preço máximo do custo por unidade, que, segundo a Caixa, é de R$ 20 mil e não R$ 25 mil, como mencionou o presidente durante assinatura do convênio. O vice-presidente do Sinduscon-SP calcula que o programa deverá gerar cerca de 60 mil empregos diretos e de 150 a 180 mil indiretos.
De acordo com ele, no entanto, alguns entraves precisam ser superados para o bom andamento do programa. Um deles é a dificuldade de se achar áreas compatíveis com o valor máximo da construção. Outro problema é a agilização da execução do programa, que vai depender da desburocratização de decisões dos governos estaduais e municipais, assim como de uma avaliação rápida dos projetos pela Caixa.
Segundo Robusti, as várias crises políticas envolvendo a prefeitura de São Paulo geraram a paralisação de 600 projetos, que aguardam um aval para serem executados. Ele lamenta também o fato de que a Caixa deverá esbarrar em uma série de critérios, criados pela própria instituição, que podem retardar a aprovação de projetos. Além disso, ele cita o exemplo da restrição de obras em áreas com alto índice de criminalidade.


