Curitiba - Um novo relatório divulgado ontem pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aponta que boa parte dos 10 grandes projetos (divididos em 21 obras) do pacote de mobilidade urbana para a Copa de 2014 em Curitiba e região estão atrasados. Segundo o documento, todos estão fora do prazo em relação à Matriz de Responsabilidade (base de acompanhamento firmado entre os governos Federal, Estadual e Municipal para receber recursos do PAC da Copa) e a maior parte também em relação aos cronogramas físico-financeiros (execução das etapas dos serviços e dos pagamentos).
O TCE-PR destaca que apenas três obras encontram-se com o cronograma em dia: Extensão da Linha Verde Sul, Requalificação do Corredor Marechal Floriano Peixoto (nos trechos de responsabilidade municipal) e Sistema Integrado de Monitoramento Metropolitano - SIMM (de responsabilidade estadual). O documento indica ainda que a obra de acessos à Rodoferroviária da capital ainda não tem projeto; e que duas mantêm pendências em relação a desapropriações (Vias de Integração Radial Metropolitana e Corredor Aeroporto-Rodoferroviária).
"Já tivemos duas obras excluídas do PAC da Copa e as que estão em andamento nos deixam preocupados. Esperamos que elas sejam bem executadas e entregues dentro do prazo previsto", completou Luiz Henrique Barbosa Jorge, coordenador de engenharia e arquitetura do TCE-PR.
Segundo a Comissão de Fiscalização da Copa de 2014 do TCE-PR, existe a preocupação de que, com o ritmo lento verificado no avanço das construções, a conclusão dessas obras não ocorra antes do início do Mundial, em junho do próximo ano. Este atraso pode acarretar a suspensão dos repasses de recursos federais do PAC da Copa, conforme já alertou o Tribunal de Contas da União (TCU).
"Temos observado que todos os envolvidos estão buscando acertar, verificamos melhorias, mas ainda corremos alguns riscos no sentido de que algumas obras possam não terminar até o momento da Copa e isso nos preocupa. E se isto ocorrer há o risco dos recursos do PAC serem bloqueados", afirmou Luiz Bernardo Dias Costa, coordenador-geral do TCE-PR

Suspensão
Em outro relatório divulgado ontem, o TCE-PR recomendou que a agência estadual Fomento Paraná suspenda o repasse de recursos para a conclusão de obras da Arena da Baixada. O documento aponta que a CAP S/A, sociedade de propósito específico (SPE) criada pelo Atlético para gerir as obras no estádio não pagou parte da segunda e a integralidade da terceira parcela de juros dos repasses de recursos públicos que recebeu por empréstimo. Esses valores totalizam R$ 1,77 milhão. A segunda parcela venceu em 5 de abril, e a terceira no dia 27 de junho.
Ainda sobre a Arena, o TCE-PR encaminhou ofício às secretarias Municipal e Estadual da Copa pedindo informações a respeito da origem dos R$ 80,6 milhões adicionais para reforma e ampliação do estádio. O orçamento líquido final da obra atingiu R$ 256,2 milhões, bem acima dos R$ 184,6 milhões da previsão inicial.
Em relação às obras de mobilidade urbana, Mário Celso Cunha, secretário estadual para Assuntos da Copa, frisou que "todas as obras de competência estadual serão entregues até abril de 2014". "Muitas delas estão adiantadas e a previsão é de que a partir do início do ano o restante também ficará pronto, dentro do cronograma", ressaltou.
De acordo com o secretário municipal da Copa, Reginaldo Cordeiro, o atraso das obras do PAC ocorreu em virtude de falhas constatadas nos projetos desenvolvidos pela administração anterior. "Os projetos tiveram que ser refeitos e inclusive aumentar a nossa contrapartida. Entretanto trabalhamos para entregar todas as obras em abril do próximo ano", disse.
A assessoria do CAP informou que o clube não vai se manifestar sobre o relatório. Já a agência Fomento Paraná informou, por meio de nota oficial, que a CAP/SA não se encontra inadimplente com a instituição.

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