Depois de três semanas, integrantes do Comitê de Crise dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) da Câmara de Vereadores de Londrina voltaram a visitar, na manhã de quarta-feira (3), as obras da creche do jardim Maracanã (zona oeste), que está sendo construída com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação, por meio de licitação federal. Participaram da visita as vereadoras Sandra Graça (SD) e Lenir de Assis (PT), respectivamente presidente e membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, responsável pela criação do comitê há cerca de dois meses.

Durante a última visita, realizada no dia 11 de maio, o engenheiro responsável pela obra, Juliano Maurício da Silva, prometeu apresentar um cronograma para a construção da unidade que deveria ter sido entregue em agosto do ano passado. O documento ainda não foi encaminhado ao Município e embora oito operários trabalhem na obra, os serviços de forro, instalação elétrica e acabamento ainda estão por fazer.

Rompimento de contrato - Responsável pela construção do CMEI no Jardim Maracanã, a Construtora Casa Alta, com sede em Curitiba (PR), venceu a licitação para atuar nos três estados do Sul do país, utilizando uma tecnologia inovadora que usa placas de concreto revestidas de PVC. No entanto, problemas posteriores relacionados a execução da tecnologia, contrapartidas do município e atrasos na liberação dos recursos por parte do FNDE ( em razão do atraso no cronograma da obra) adiaram a conclusão do projeto. Dos outros nove CMEIs programados para Londrina, nenhum começou a ser erguido.

Diante das péssimas perspectivas para entrega das unidades, a Procuradoria Geral do Município e a Construtora Casa Alta, estudam rompimento amigável do contrato com anuência do FNDE. A expectativa é que um novo processo licitatório seja iniciado, desta vez por parte do Município, com empresas locais. "Percebemos que houve poucos avanços na obra do Maracanã, desde a última vez que estivemos lá, mas pelo menos havia mais materiais, pessoas trabalhando e máquinas ligadas. Ficou claro que teremos que acompanhar sistematicamente os trabalhos, até que sejam finalizados", afirmou a vereadora Sandra Graça.

Zona norte - As integrantes do Comitê de Crise visitaram também a reforma do CMEI do Jardim Maria Celina (Zona Norte), que teve as obras iniciadas em 2010 e deveriam ter sido concluídas em 2011. Porém, a falência da empreiteira responsável pela construção levou à paralisação das obras no ano seguinte, já na fase final dos trabalhos. Por mais de dois anos, a obra ficou sujeita à ação de vândalos, que destruíram e roubaram a fiação, pias de banheiros, torneiras, bancadas de mármore e até portas, além dos prejuízos causados em parte do telhado do prédio. Em janeiro deste ano os trabalhos foram retomados pela Construtora NSA, de Londrina, e devem ser finalizados até agosto.

A última visita desta quarta-feira foi ao Residencial Flores do Campo, também na região Norte, para conhecer o terreno que deverá ser adquirido pelo município para a construção do CMEI. O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), José Roberto Hoffmann, mostrou às vereadoras um mapa da área onde deverá ser erguida a creche para 180 crianças, com possibilidade de ampliação no futuro. No local estão sendo construídas 1.218 unidades habitacionais pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.

A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara disse ter ficado satisfeita com o que viu no Maria Celina. "A qualidade da construção, o envolvimento dos funcionários na obra e até do proprietário da construtora, que esteve no local para falar conosco, me deixou muito feliz. Também vamos cobrar da Construtora Casa Alta o cronograma das obras do Jardim Maracanã ", disse Sandra Graça. Para Lenir de Assis, embora as obras dos CMEIS dos Jardins Maracanã e Maria Celina estejam em andamento, a situação é preocupante no Jardim Flores do Campo. " A prefeitura precisa agilizar a compra da área para a construção da creche, equipamento público fundamental para atender as famílias. Caso contrário, as casas não poderão ser entregues aos moradores", avaliou Lenir de Assis.

Nova reunião do Comitê de Crise dos CMEIs deve ser agendada para a próxima semana, com participação de representantes das Secretarias de Gestão Pública, Obras, Educação e Procuradoria Geral do Município, para realinhamento das ações.

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