Uma equipe de engenheiros e auditores do Tribunal de Contas estará nesta segunda-feira em Paranaguá para atualizar um levantamento sobre as obras de canalização do córrego na Vila Guarani, conhecido como canal da Anhaia, foco da cólera no município. A canalização deveria ter sido feita há quatro anos e poderia proteger a população da exposição ao vibrião colérico na vila, mas foi interrompida.
A maior parte do dinheiro para a canalização, R$ 442 mil, foi liberada pelo governo do Estado em 1995. O Tribunal de Contas do Estado desaprovou o balanço financeiro da Prefeitura de Paranaguá, naquele ano, durante a gestão do ex-prefeito Carlos Tortato, em função dessa pendência.
Num dos pareceres dados sobre a obra, o Ministério Público do Paraná apontava que ‘‘mesmo havendo a aplicação total do recurso recebido pelo município, há a irregularidade por restar a obra inacabada sem demonstração efetiva de terminá-la, mesmo após duas administrações’’. O valor total da canalização era de R$ 739 mil. O município de Paranaguá seria responsável por uma contrapartida de R$ 289 mil.
Outro parecer no final do mês passado pela Procuradoria-Geral do TC aponta para a responsabilidade do ex-prefeito Carlos Tortato e do atual, Mário Roque. Em 97, representantes da atual administração municipal comunicaram ao TC que as obras do canal seriam concluídas. O Tribunal pediu provas da garantia de que a obra estava sendo executada, mas só recebeu uma defesa do ex-prefeito Carlos Tortado.
O prefeito Mário Roque disse que precisaria de mais R$ 150 mil para terminar as obras restantes, mas não soube explicar por que as obras não foram concluídas. ‘‘Isto aí está no Tribunal de Contas’’, limitou-se a dizer. Ele calcula que de 60% a 70% da canalização está pronta. O ex-prefeito Carlos Tortato recorreu da decisão do TC, segurando a conclusão do processo e uma possível devolução de dinheiro para os cofres públicos.
Na defesa apresentada ao TC, o ex-prefeito alegou ter aplicado todo o dinheiro remetido pelo governo estadual na canalização. Tortato se defende, dizendo que a ausência da contrapartida municipal teria sido causada pelas dificuldades de caixa enfrentadas na sua gestão.

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