Obra de arte e de fé
Marcos Zanatta
De Maringá
Décimo monumento mais alto do mundo, com 124 metros de altura, a Catedral Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fascina fiéis e visitantes e se transformou na principal atração da cidade
A Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, de Maringá, exerce facínio em quem a vê pela primeira vez. A grandeza da igreja não impediu que o projeto fosse rico em detalhes, tantos que nem os católicos maringaenses conhecem ou sabem o significado.
Para o primeiro arcebispo de Maringá, dom Jaime Luiz Coelho, responsável pela idéia e construção da catedral, a obra ainda não está acabada. Faltam alguns detalhes que estão no projeto. Espero que sejam concluídos ao longo dos próximos anos, prevê dom Jaime.
Décimo monumento mais alto do mundo, com 124 metros e altura, a catedral de Maringá foi inspirada no foguete russo Spoutiniks. Dom Jaime conta que em janeiro de 1957 o bispo de Jacarezinho, dom Geraldo de Proença Sigaud, mostrou um projeto para a futura catredral de Maringá. A diocese acabava de ser desmembrada de Jacarezinho. O projeto era de uma igreja parecida com a de Apucarana, de dimensões bem maiores. Dom Jaime chegou em março do mesmo ano em Maringá, disposto a criar um projeto diferente.
Na época, a Rússia estava lançando o primeiro foguete espacial, batizado de Spoutiniks. Peguei uma foto do foguete, desenhei uma cruz no topo e pensei: assim será a catedral de Maringá, recorda dom Jaime. A idéia de fazer a catedral a partir do foguete, no entanto, tem outros motivos.
Dom Jaime lembra que a palavra russa poustinikki significa o peregrino que se afasta do mundo para ficar mais próximo de Deus. Como a padroeira de Maringá é Nossa Senhora da Glória, lembrando sua Assunção ao Céu em corpo e alma, o formato da nave dava a resposta à idéia da catedral, revela.
O projeto foi apresentado ao arquiteto José Augusto Belucci, de São Paulo, que tinha ligações com Hermann Moraes de Barros, um dos colonizadores da região de Maringá. Estudamos cada detalhe até chegar ao projeto que realizamos, diz Dom Jaime.
A maquete da catedral foi apresentada à comunidade no dia 30 de março de 1958. Foi uma grande surpresa, muitos não acreditavam que o projeto fosse realmente de uma igreja, relembra dom Jaime. No dia 15 de agosto do mesmo ano, foi instalada a pedra fundamental, com um pedaço da mármore retirado das escavações junto ao túmulo de São Pedro, no Vaticano.
As obras começaram em agosto de 1959. Na época, a prefeitura destinava uma verba para a construção, que foi cortada em 1963, obrigando a diocese a paralisar a obra, retomara apenas cinco anos depois. A parte de concreto foi concluída em maio de 1972.
Em 7 de janeiro de 1973 a antiga catedral, de madeira, começou a ser demolida. A partir daí, todas as cerimônias passaram para a catedral nova. Apenas em 1976 a igreja iniciou uma campanha para instalar os vitrais e o piso em granito vindos do Espírito Santo. O último dos 16 vitrais foi instalado em dezembro de 1979.
No dia 3 de maio de 1981, procedeu-se a Dedicação da Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Glória, concluindo o essencial da obra 18 anos depois de iniciada. Dom Jaime lembra dos problemas da época. Os operários tinham dificuldades para preparar o concreto na proporção necessária, em instalar as armações de madeira e levar o elevador de obras até a altura da catedral.
Ele diz que é impossível calcular quantos operários passaram pela obra e hoje até mesmo quantas pessoas entram ou fotografam a catedral todos os dias. Nunca pensamos que o projeto seria um monumento do porte que temos hoje, afirma dom Jaime.
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CATEDRAL EM NÚMEROS
Durante a construção foram utilizados:
Cimento - 30 mil sacas - 60 quilos
Ferro - 600 toneladas
Areia - 3600 metros 3
Pedra britada - 4100 metros 3
Granito piso - 1967 metros 2
Vitrais (em área) - 1125 metros 2
Construção total (área) - 5 mil metros 2
A catedral tem:
Altura - 124 metros total
Cruz - 10 metros
Escada até a cruz - 515 degraus
Mirante - 84 metros
* Durante a construção da catredral não houve nenhum acidente grave com operários





