Londrina - ''Há um posto a cada quinhentos metros. Para verificações. Por causa de doenças não identificadas que surgiram, principalmente o câncer súbito de pele. A gente testemunhava os casos mais estranhos. De repente, na rua, a pessoa começando a descascar, ficando que é só sangue. ''Acontece muito, mesmo com os migrantes, acostumados ao sol forte do norte e nordeste. Esses que descem aos magotes, buscando refúgio, esperando escapar do sol e calor lá de cima. Também descem, porque foram expulsos das terras. Estrangeiros nas suas Reservas. E o povo vem. Morrer no sul.''
Há mais de 30 anos, o escritor Ignácio de Loyola Brandão traçava um cenário catastrófico de aquecimento no livro ''Não verás país nenhum'' (1981). Na obra de ficção, o Norte e o Nordeste do País praticamente deixam de existir e o que sobrou da população vive encalacrada em São Paulo, sofrendo agruras, vítimas dos locupletadores (corruptos) que destruíram o País.
O Brasil ainda não chegou nesse nível, mas muito do que está no livro ressoa hoje. Como aponta Loyola em outro trecho do livro: ''Cientistas. Categoria mínima, marginalizada. Numa fase quase pré-histórica, o povo alheio aos seus avisos. Mais tarde, o Esquema percebeu a situação, manipulou jornais e televisão e fomentou a ironia. Foi quando surgiu a expresão galhofeira 'paranoia científica'.''(D.B.)

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