Rio, 12 (AE) - Foram 11 meses de entrevistas com personagens, pesquisa em arquivos públicos, de jornais e particulares, como o da cantora Eliane Pitman, cujo pai, Booker Pitman, foi músico do Goldem Room. Quando o jornalista Ricardo Boechat aceitou a proposta da direção do Copacabana Palace para escrever a história do hotel, ele tinha idéia da grandeza do empreendimento. "É um livro de um repórter, sobre uma história presente no imaginário da cidade e do País", explica Boechat, que no início dos anos 70, teve uma passagem rápida pelo hotel como assessor de imprensa.
Se as histórias povoam as imaginações, para reuní-las num livro de luxo, foi preciso checar, confirmar e abrir brechas no regulamento do hotel, que tem como regra para seus empregados
a discreção e o segredo quanto ao que ocorre dentro de seus quartos e salões. Mesmo assim, Boechat conseguiu auxílios luxuosos, como a abertura dos arquivos do locutor Murilo Neri, que foi mestre de cerimônia dos shows do Golden Room. Ou a carta em que o advogado Sobral Pinto lamenta, com um amigo, ter dado parecer favorável ao jogo no hotel.
"Mas essa história e muitas outras ficaram de fora porque é impossível contar tudo que aconteceu ali dentro", avisa Boechat. "Aquele hotel é um mundo e nele foi tramado quase todos os fatos importantes no campo social, cultural e político do País, especialmente das década de 40 a meados dos anos 70".

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