Objetos do arquivo pessoal de Vargas são doados ao Museu da República
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 20 (AE) - O revólver Colt 32 com o qual o presidente Getúlio Vargas cometeu suicídio, em 24 de agosto de 1954, faz parte agora do acervo público do Museu da República, no Rio. A arma é uma dos 2.080 peças do arquivo pessoal de Vargas doadas ao museu por sua neta Celina Vargas do Amaral Peixoto, e que vinham sendo guardadas a sete chaves pela família em quatro locais diferentes. Hoje à tarde, Celina assinou o termo de doação do acervo - 1.633 livros e 447 objetos pessoais - em solenidade que contou com a presença do ministro da Cultura
Francisco Weffort. "É um legado muito valioso e que agora faz parte da memória pública do País", afirmou o ministro.
A iniciativa de Celina é resultado de um processo de três anos de negociações entre a família de Vargas e a direção do museu. Segundo a diretora da instituição, Anelise Pacheco, a família exigiu que o local passasse por uma reforma geral antes que pudesse receber o acervo. Foram gastos R$ 600 mil com higienização e climatização de salas e da reserva técnica da instituição. Serão investidos ainda R$ 400 mil na restauração do material, que servirá como suporte para a exposição multimídia "Doutor Getúlio", prevista para agosto.
"Vamos exibir ao públibo 20% desse novo acervo, mas o restante será mostrado virtualmente, através de imagens em videowall e em computadores", explicou a assessora técnica da exposição, Ana Cristina Eures. "Nossa idéia, por exemplo, é mostrar o Colt 32 em terceira dimensão". Segundo Anelise, é a primeira vez que o museu recebe uma coleção privada completa de um ex-presidente. "Acho que a doação de Celina vai incentivar outras famílias de personalidades da República a fazer o mesmo"
disse. O acervo da instituição, que funciona no Palácio do Catete, sede do governo federal até a transferência da capital para Brasília, em 1961, é composto basicamente de bens públicos usados pelos presidentes que por ali passaram. Acervo - Além do revólver de Vargas, estão sendo doados ao museu a caneta com a qual o ex-presidente escreveu a Carta Testamento, documentos pessoais - como a carteira de identidade em que se lê o registro "Doutor" Getúlio Dorneles Vargas -, acessórios íntimos (carimbos, óculos, crucifixo, charutos, chaveiros e até a cuia de mate usada para beber chimarrão), além de 1.633 livros de sua biblioteca - a maioria, obras raras de direito, literatura, dicionários e biografias.


