Segundo a nutricionista Cristina Tomasetti, coordenadora do curso de nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar), apesar dos casos de desnutrição terem diminuído nos últimos 30 anos, a doença ainda tem incidência relativamente alta no país. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 33%, ou 182 milhões, das crianças com menos de cinco anos de idade estavam desnutridas no ano 2000. No Brasil, o índice é de 10,5%.
A maior causa é a ingestão insuficiente de calorias, mas a desnutrição também pode estar ligada à qualidade da alimentação. Por isso, ao contrário do que se pensa, os obesos não estão bem nutridos, mas têm excesso de alguns nutrientes e deficiência de outros. ''A obesidade também é uma forma de desnutrição'', afirma. Segundo ela, passamos por um processo de transição epidemiológica, em que as pessoas que foram desnutridas na infância, hoje estão obesas.
Algumas doenças também podem levar à desnutrição, como a anorexia, a bulimia ou o câncer. Estudos revelam que 70% dos pacientes terminais com câncer têm caquexia, quadro grave de deficiência nutricional responsável por até 25% das mortes. O quadro influencia diretamente na capacidade dos pacientes tolerarem os tratamentos da doença e aumenta o tempo de internação nos hospitais. O assunto será discutido durante o 17º Congresso Brasileiro de Cancerologia, que acontece em Belo Horizonte (MG), de 22 a 25 de novembro.
Outra alteração que a desnutrição pode causar é na pressão arterial. Uma pesquisa feita na Unifesp, pela enfermeira Genia Pithon Barreto Vranjac, mostrou que crianças desnutridas tinham níveis aumentados de pressão arterial. A alteração acontecia mesmo naquelas que haviam se recuperado da desnutrição após um período de seis anos. A pesquisa alerta que crianças desnutridas devem ser monitoradas ao longo da vida para reverter a possibilidade de desenvolver hipertensão. (C.P.)

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