Obesidade dispara em países emergentes e põe em alerta o sistema de saúde
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
Londrina - Os hábitos alimentares da família da copeira Lucimar Pereira Ferreira mudaram nos últimos anos. Produtos que antes nunca entravam juntos no carrinho de compras tornaram-se mais recorrentes, como pizzas, refrigerantes e salgadinhos. Esta mudança não aconteceu apenas na família Ferreira, mas reflete uma tendência dos países emergentes, confirmada por dados inéditos divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O estudo relaciona o rápido crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) com o sobrepeso e a obesidade, que teriam disparado em países como China, Índia, África do Sul, Brasil e México.
Para especialistas como Tim Lobstein, da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade, a mudança de comportamento mais importante é a chamada ''transição da nutrição'', de uma dieta com alimentos básicos para uma dieta modernista, que consiste em alimentos de nível energético muito maior. ''Isso significa menos frutas e verduras, ou menos alimentos básicos como arroz e grãos, e mais gorduras, açúcar e óleo. Esses vêm particularmente sob a forma de fast food e refrigerantes.''
Lucimar Ferreira lembra que, na sua infância, tinha vontade de comer muita coisa, como chocolates, mas o pai não podia comprar. Hoje seus filhos, de cinco e nove anos, já não passam por tantas privações. ''Até uns tempos atrás, não dava para comprar mais de uma dessas coisas diferentes de uma vez. Tinha que alternar. Mas agora já dá para levar umas 'bobagenzinhas' para as crianças'', conta, referindo-se a alimentos industrializados com baixo valor nutricional.
A técnica de enfermagem Magda Cristina Geremias revela que trava uma luta diária com os dois filhos, de 11 e 16 anos, para que comam alimentos mais saudáveis. ''Eu e meu marido não ficamos sem frutas e verduras, mas eles, depois de crescidos, só querem saber de coisas que nem deveriam estar no cardápio'', revela Magda, resignada. Ela diz que quando vai com um dos filhos ao mercado, a compra ganha, inevitavelmente, mais produtos industrializados. ''A oferta deste tipo de alimento é muito grande, e isto influencia na alimentação dos mais jovens'', argumenta a técnica de enfermagem.
Os problemas relacionados à má alimentação e à obesidade têm se disseminado com tanta rapidez que os governos de países emergentes estão sendo cobrados a adotar medidas para combatê-los. Conhecidos no passado por dificuldade em alimentar suas populações, esses países hoje se deparam com problemas de natureza oposta - em um fenômeno que especialistas chamam de ''dupla carga''.
''A forma com que calculamos o desenvolvimento econômico é simplesmente uma medida do quanto consumimos, então quanto mais você consume, mais rico você é', disse SV Subramanian, professor de Saúde da População e Geografia da Universidade de Harvard.
No próximo mês, líderes mundiais se encontram na primeira cúpula de alto nível da Organização Mundial da Nações Unidas (ONU) sobre doenças não transmissíveis, que incluem a obesidade. Eles serão pressionados a adotar medidas de controle e regulamentação sobre a indústria alimentícia, assim como sistemas para identificar potenciais complicações de saúde em estágio inicial. Só na China, estima-se que 100 milhões de pessoas sejam obesas. Em 2005, eram 18 milhões.
No Brasil, a obesidade cresce mais rapidamente entre as crianças. No total, 16% dos meninos e 12% das meninas com idades entre cinco e nove anos são hoje obesas no país, quatro vezes mais do que há 20 anos. Um em cada sete adultos mexicanos está acima do peso, proporção que fica atrás apenas dos Estados Unidos entre as principais economias do mundo. (Com Agência Brasil)


