Obesidade deixa cães e gatos doentes
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quarta-feira, 01 de outubro de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Assim como as pessoas, cães e gatos de estimação também são vítimas de uma das más consequências da vida moderna, a obesidade. Relatório de 500 páginas da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, com recomendações nutricionais, aponta que 25% dos cães e gatos dos países ocidentais são obesos. Apesar de estarem livres da ditadura da estética, o excesso de peso pode trazer graves problemas para a saúde dos bichos, como a hipertensão, danos cardíacos e diabetes, entre outros.
Segundo o veterinário Leonardo Nápoli, os cães são os mais prejudicados. ''O coração do cachorro não é muito forte, e a gordura pode acarretar em problema cardíaco'', diz, ressaltando que o excesso de peso também causa problemas de coluna, artrose e artrite. O mal funcionamento do coração é, ainda, uma porta para hipertensão e diabete. No gato, os problemas de saúde são menos frequentes, já que os felinos são bem mais resistentes.
A mudança de hábito dos donos de gatos e cachorros está diretamente ligada à incidência da obesidade nos animais. ''Hoje os bichinhos são mais bem cuidados, eles passaram a viver mais dentro de casa e não no quintal, como faziam antigamente. Essa falta de espaço e a vida sedentária trazem um problema grande de obesidade'', diz Nápoli. Outra causa apontada por ele é a ''mania brasileira da mesa farta''. ''O problema é quando o dono transfere esse hábito para o animal.'' Isso ocorre tanto na disponibilização de maior quantidade de ração do que é necessário, quanto no costume das pessoas de darem guloseimas para os animais.
''Os petiscos, chocolate, pão e mesmo a comida temperada não são adequados. A ração já tem tudo o que um animal precisa'', explica Fabiana da Costa Gubert, veterinária da fábrica de alimentos Nutron. Para prevenir a obesidade, ela orienta que as pessoas sigam as instruções sobre a administração do alimento contidas nas embalagens. Ela ressalta, ainda, que existem no mercado rações light de linhas de maior qualidade que podem ser usadas tanto para a perda de peso quanto na manutenção, dependendo da quantidade administrada.
Não há uma tabela específica para saber se o animal está ou não gordo. Segundo o relatório, a maneira mais simples para avaliar se um cão está gordo é verificar se é possível sentir suas costelas. Se não sentir, é porque o animal é obeso. Neste caso, a saída é aumentar os exercícios físicos e usar rações light. Pesquisas mostram que cães se alimentam de sete a oito vezes por dia. Por isso, quando obesos, não se deve deixar tigela cheia de ração à disposição o dia inteiro. Segundo Fabiana, algumas raças apresentam pré-disposição para engordar e devem ter um tratamento preventivo. É o caso do cocker, basset daschound e labrador.
Para saber se um gato está obeso, é só olhá-lo de cima: se ele não tem cinturinha, é porque está acima do peso. Neste caso, a principal causa da obesidade é a castração, que causa um desequilíbrio hormonal e aumenta a digestabilidade dos alimentos. A dieta do gato também é diferente. Primeiro, porque não há como estabelecer um exercício físico e, depois, porque os felinos costumam petiscar entre 12 e 20 vezes, dia e noite, comendo um pouquinho de cada vez. A saída é analisar caso a caso junto ao veterinário.
Isso não significa que o vira-lata está livre desse problema. Rosana Vicente Gnipper, vice-presidente da ONG SOS Bicho, tem 12 cães e 50 gatos em casa. Destes, cinco cães e vários gatos estão acima do peso. ''Conversei com um veterinário e cheguei à conclusão de que os cachorros estão comendo mais do que deviam, já que deixo a ração à disposição o dia todo, além de terem pouco espaço e uma vida sedentária'', conta. Já os gatos, o problema foi a castração.


