Oba Oba quer voltar a brilhar
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sexta-feira, 19 de junho de 1998
Edna Mendes 
Depois de fazer sucesso por mais de 10 anos em casas de espetáculos de Foz do Iguaçu e ser desfeito por falta de patrocinador, o grupo de artistas do tradicional show Oba Oba tenta retomar os espetáculos, dessa vez com a produção de uma cooperativa formada pelo grupo.
O Oba Oba foi desativado no final do ano passado. Mas durante os primeiros meses deste ano, continuou fazendo uma temporada de shows em Mar Del Plata, na Argentina. Depois disso, retornou para Foz decidido a brilhar novamente nos palcos da cidade. Sem dinheiro, os artistas decidiram montar uma cooperativa para impedir a exitinção do grupo.
Criada a Cooperativa Oba Oba dos Artistas de Foz do Iguaçu, o grupo alugou a casa de shows conhecida como Castelinho e reativou os espetáculos no final do mês passado.
Segundo o diretor-presidente da cooperativa, Carlos Audibert, a idéia da criação da cooperativa visa, além de dar continuidade aos trabalhos do grupo, dar oportunidade de emprego aos artistas. A maioria dos integrantes é do Rio de Janeiro e já tinha criado raízes na cidade quando o grupo se desfez há alguns meses, observou Audibert.
Ele também explicou que futuramente a cooperativa estará aberta a outros artistas. Sabemos que em época de crise econômica, a primeira coisa que os estabelecimentos comerciais cortam são as apresentações artísticas e musicais. Com a cooperativa, a mão-de-obra fica mais viável e mais barata, frisou.
Como a cooperativa ainda está em fase de implantação, por enquanto os artistas não têm salários definidos. Cada um vai receber de acordo com a sua funcão, esclareceu Audibert.
Show O Oba Oba é formado por 35 artistas, entre mísicos, cantores, dançarinos, bailarinos e ritimistas. Durante o show são apresentados oito números musicais sobre as raízes afro-brasileiras, sempre intercalados com a apresentação individual de mulatas. A duração média de cada espetáculo é de aproximadamente uma hora e meia.
O início do espetáculo é marcado com a obra-prima de Ary Barroso, Aquarela do Brasil, quando os artistas entram em cena dando uma pequena mostra do que será o show. Os números são ainda mais empolgantes pelo brilho e colorido das roupas, que não só chamam a atenção pela beleza, mas também pela originalidade.
Entre os números apresentados, os que mais de destacam são o de Carmem Miranda, Iemanjá, candomblé, maracatu, frevo e a capoeira. O público fica tão à vontade que sobe ao palco para dançar com os artistas. O show encerra com mulatas dançando em ritmo de carnaval, com as bandeiras dos países da América Latina.
Audibert reclama que a população de Foz do Iguaçu tem uma visão equivocada do Oba Oba. A cidade tem uma idéia totalmente errada do grupo. O Oba Oba é uma espécie de teatro de revista, totalmente voltado para a cultura e para o turista. As pessoas acabam pensando que se trata de uma boate com muitas mulatas, disse.
Além de resgatar as raízes brasileiras, num belíssimo espetáculo, o Oba Oba consegue ainda fazer das apresentações números de rara harmonia, qua com certeza vale a pena ser visto.
No mês passado, parte do grupo esteve em Iquique, no Chile, fazendo a divulgação do trabalho do Oba Oba. Os artistas se apresentaram em cassinos da cidade chilena.


