Curitiba - Quatro fugas e mais de 20 presos evadiram do minipresídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, desde o início deste ano. A casa de detenção sofre com a superlotação, já que abriga 350 detentos enquanto que a sua capacidade é para 170 homens. Diante deste quadro, ontem, o presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ponta Grossa, Henrique Hennenberg, e a Comissão de Direitos Humanos da OAB, decidiram entrar com o pedido de interdição do minipresídio, na Vara de Execução Penal do Município.
Caso o pedido seja deferido, haverá transferências imediatas dos detentos. ''Mais de 40 presos são de outras comarcas e não são removidos por pura inércia das mesmas. Fora outros 50 presos com sentença condenatória definitiva que deveriam estar nas penitenciárias estaduais de Ponta Grossa ou Piraquara. Essas medidas já iriam desafogar o minipresídio'', contabiliza Luis Carlos Simionato Jr., presidente da Comissão, em Ponta Grossa, e membro do Conselho Municipal de Segurança da cidade.
Numa fuga ocorrida na noite do dia 9 de março, oito presos serraram cadeados das celas e arrombaram porta. Quatro deles fugiram e outros quatro foram pegos em flagrante nos corredores da unidade. Ao tentar render um policial, o preso Leocádio Lucimar dos Santos, de 40 anos, foi baleado no olho e morreu. ''Vamos fazer o pedido, mas sabemos que será preciso relatórios sociais da Comissão e de uma assistente social, além da perícia'', detalha Simionato Jr, informando que existem outros agravantes em Ponta Grossa.
No complexo feminino, localizado ao lado do minipresídio, também estão abrigados presos que não podem conviver com os demais por questões de segurança e porque a casa de detenção não possui ala exclusiva para estupradores, assassinos e presos por violência doméstica.
As 40 detentas que, até outubro de 2006, ficavam na 13º Subdivisão Policial, foram transferidas para o novo complexo, construído em regime de urgência pelo Governo. Desde então, elas dividem o local com detentos. ''O Governo construiu o complexo para solucionar o problema da ausência de solário e principalmente porque elas ficavam misturadas com os homens. Só, ontem, eles ativaram o solário, que tinha sido construído mas estava inacabado, faltava colocar as grades para poderem tomar sol lá. E elas continuam misturadas a homens '', critica Simionato Jr.. Segundo ele, 80% das mulheres estão presas por tráfico de drogas.

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