Brasília, 09 (AE) - A Comissão da Reforma do Judiciário na Câmara aprovou hoje, por 19 votos a 5, a emenda do deputado Renato Vianna (PMDB-SC) que permite que o Supremo Tribunal Federal (STF) avoque para si o julgamento de causas que estão na primeira instância judicial. A aprovação dessa emenda provocou a indignação do presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro. Ele anunciou a decisão de se aliar aos partidos da oposição em manifestações de rua contra o governo, por entender que o instrumento aprovado pela comissão devolve o País aos tempos da ditadura militar.
Em entrevista após a votação, Castro disse que o projeto de reforma do Judiciário "está se transformando em algo pior do que o material apresentado pelo então deputado (hoje secretário-geral da Presidência) Aloysio Nunes Ferreira". O presidente da OAB afirmou que, na votação de hoje testemunhou, "tristemente, uma verdadeira farsa, onde se faz do projeto o que bem entende o governo federal, ou seja, não estão tendo a grandeza de construir um Judiciário para uma nação, estão pensando simplesmente em construir um Judiciário para atender a interesses momentâneos do governo".
Reginaldo de Castro declarou-se decepcionado com a democracia: "Isso é um absurdo, é algo que me deixa profundamente decepcionado e com vontade mesmo de trancar as portas das instituições democráticas desse País e ir para as ruas fazer uma campanha contra esse governo, que é o que eu, pessoalmente, a partir de hoje passo a fazer". E acrescentou: "Que não acusem a OAB de ser partidária; nós, hoje, estamos numa situação idêntica à que estávamos durante o regime militar e temos que nos unir aos partidos que combatem esse governo".

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