OAB vai investigar motim em Sertanópolis
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sexta-feira, 03 de fevereiro de 2012
Patrícia Alves <br> <br> FolhaWeb 
Sertanópolis - A advogada Ariadne Paduano, representante de dois detentos sob custódia na Delegacia de Sertanópolis (Norte), enviou ontem uma denúncia de maus tratos à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Londrina. Vinte e seis presos teriam relatado à advogada suposta ação violenta de policiais militares durante rebelião ocorrida na quarta-feira. A qualidade da comida servida aos internos teria motivado o motim.
Houve relatos, de acordo com a advogada, de que as refeições servidas estariam estragadas. ''Não era uma rebelião, essas pessoas estavam pedindo uma comida melhor, que voltasse como estava antes, ou deixasse que familiares trouxessem alimentos para eles. O delegado não autorizou e chamou a PM. Não pude ouvir todos, mas os 26 detentos ouvidos apresentavam hematomas, por várias pancadas de cacetete, e denunciaram ações agressivas por parte da polícia'', relatou Ariadne. O delegado Paulo Gomes negou as acusações. Segundo ele, as famílias estão autorizadas a trazer alimentos para os internos.
Gomes argumentou que a comida teria sido só um pretexto para evidenciar o problema de superlotação da cadeia. Com capacidade para oito presos, a carceragem abriga 43.
Segundo ele, a marmita é a mesma distribuída em outras delegacias por uma empresa terceirizada de Bandeirantes. ''Eles aproveitaram que o serviço da nova empresa iniciava para começar um protesto'', explicou Gomes, que, logo após o tumulto, realizou uma revista nas celas. Foram encontrados três celulares e uma quantidade pequena de drogas. Três supostos líderes do motim foram transferidos para Bela Vista do Paraíso (Norte).
A vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Londrina, Caroline Thon, enviou a denúncia para o Centro de Direitos Humanos de Londrina e para o Conselho Permanente de Direitos Humanos do Paraná, que devem investigar o caso.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) confirmou o relato do delegado e garantiu que não há problemas com a alimentação dos detentos.


