Brasília, 03 (AE) - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quer que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) liberte o advogado Artur Eugênio Mathias, preso desde 30 de novembro no Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Campinas, no interior de São Paulo, sob a acusação de participar de roubo de caminhões e cargas. No pedido a ser analisado pelo STJ, a OAB argumenta que a prisão de Mathias foi ilegal porque teria sido fundamentada em prova ilícita.
Mathias é um dos que foram ouvidos pelos deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o tráfico de drogas e o crime organizado no País.
O advogado foi acusado por um ex-cliente, Adilson Frederico Dias Luz, de ser o mentor do roubo de dois caminhões carregados de cigarros, um caminhão tanque, um automóvel, um revólver e 600 reais. Na ocasião, Luz foi preso em flagrante pelo roubo dos veículos, do carregamento, da arma e do dinheiro.
Em novembro, Luz admitiu ao juiz de Igarapava (SP) que participou do crime e acusou Mathias de ser o mentor. Diante do fato, o Ministério Público (MP) resolveu estender a acusação ao advogado, pedindo a prisão preventiva dele.
Em seguida, o juiz decidiu conceder liberdade provisória a Luz. Segundo a OAB, Luz procurou a entidade e contou que foi induzido a incriminar Mathias mediante a promessa de ser libertado em seguida. A OAB sustenta no pedido a ser analisado pelo STJ que os fatos narrados por Luz representam uma grave fraude processual imposta a membros do MP de São Paulo e autoridade policial da Secretaria de Segurança Pública do Estado. O pedido da OAB deve ser despachado nos próximos dias pelo STJ.