Rio, 27 (AE) - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, vai acompanhar o desenrolar das novas investigações sobre a morte da secretária da instituição, Lyda Monteiro da Silva, vítima de uma carta-bomba em 27 de agosto de 1980. Ele participou hoje de missa pelos 19 anos do evento, celebrada na Igreja da Candelária, no centro do Rio, ao lado do filho de Lyda, Luiz Felippe Monteiro da Silva, e do presidente da OAB de Portugal, Antônio Pires de Lima, que está no Brasil para participar, a partir de segunda-feira, da 17ª Conferência de Advogados do Brasil.
Castro se disse à disposição do deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) que entrou com um requerimento esta semana na comissão de Direitos Humanos da Câmara pedindo o reinício das investigações, com base no depoimento de três oficiais de Exército da reserva que aventaram a possibilidade de o atentado estar ligado à bomba do Riocentro, em abril de 1981, e na palavra de Dilza Fulgêncio Pereira, na época servente da OAB, e única testemunha do atentado a ter visto seu autor. Ela alega que, durante o inquérito feito pela Polícia Federal, logo após a morte de Lyda, o retrato falado não foi desenhado corretamente.
Segundo o presidente da OAB, estes novos fatos já justificam a reabertura das investigações. "Mas ainda que não houvesse novidades, não poderiamos deixar de lutar pela punição dos culpados", disse ele. "Como diz o poeta Fernando Pessoa, navegar é preciso, viver não é preciso, ou seja, na vida não podemos agir como se tudo fosse exato e deixar de lado certas evidências que não aparecem num primeiro exame." O presidente da OAB acredita que na primeira investigação já se poderia ter apurado o culpado, se houvesse vontade política.
"Naturalmente impediram a apuração pela simples suspeita de que poderia alcançar escalões mais altos do governo civil e militar", disse Castro. "No entanto, hoje a situação política é completamente diferente e só o fato de realizarmos atos como este de hoje já é parte da punição do culpado."
Reginaldo de Castro prometeu entrar em contato com o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), para saber quais as primeiras medidas a serem tomadas na reabertura das investigações e de que forma a OAB pode contribuir.
O filho de Lyda, Luiz Felippe, disse que luta pelo esclarecimento da morte da secretária não só por motivos afetivos, mas também como cidadão. "Não existe democracia com lixo embaixo do tapete", disse ele. "É meu dever ético lugar até quando puder, para solucionar esse crime que chocou pelo grau de violência."

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