OAB-PR tem 74 queixas contra Pereira
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terça-feira, 18 de julho de 2006
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) recebeu 74 representações contra o advogado Carlos Alberto Pereira desde 1991. Apesar das denúncias dando conta de que servidores públicos teriam sido lesados pelo advogado, Pereira continuou advogando normalmente até ser suspenso por 90 dias depois que a Justiça Estadual deu a primeira sentença condenatória contra ele.
A sentença foi dada no dia 31 de maio de 2006 pelo juiz da 4 Vara da Fazenda Pública, Roger Vinícius. Na ação, Pereira é acusado de obter ganho de ação previdenciária contra o governo do Paraná e receber o precatório sem ter repassado à família do servidor público (que já estava morto).
Pereira foi condenado a restituir o valor pago aos familiares. Os bens dele foram bloqueados judicialmente. Esta é apenas uma das 65 ações judiciais que já foram ajuizadas na Justiça Estadual contra o advogado, que teve a prisão preventiva decretada e está foragido há nove dias. Ele é acusado de ser o mentor de uma quadrilha que teria recebido milhões de reais em precatórios devidos pelo governo do Estado a servidores públicos.
Em vez de repassar os valores para os familiares, a quadrilha supostamente ficava com todo o dinheiro (ou parte dele). Quatro pessoas foram presas pelo esquema conhecido como ''máfia dos precatórios''. São elas: o advogado Messias Alves de Assis (que atuava com Pereira), os empresários Olorbi dos Santos Pinheiro e José da Silva, e a secretária Joana Anelise Ludwig. Outra secretária, conhecida como Dirce Ferreira, está foragida.
Uma das classes mais prejudicadas pela ''máfia'' foi a de policiais militares. De acordo com o coronel Elizeu Ferraz Furquim, presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas (Amai), há cinco anos ele recebeu as primeiras denúncias de militares da reserva que teriam sido ''enganados'' pelo advogado.
''Eles (os militares) se diziam ludibriados pelo advogado ou por receber todo o dinheiro ou porque a prestação de contas não tinha sido feita ou tinha ficado nublada. Enviamos por várias vezes representações para a OAB, que estava acomodada. Demorou muito para que a ordem tomasse providências. Se não fossem os juízes e procuradores, nada teria sido feito'', afirmou o coronel.
Furquim está orientando os policiais militares da reserva que tenham sido lesados a moverem ações judiciais para conseguir reaver o dinheiro que teriam direito. ''Estamos fazendo agora um trabalho de intermediação. Ajudando os militares que tiveram problemas no recebimento dos precatórios'', ponderou. Há anos, a Amai tem orientado os militares da reserva que procurem outros escritórios advocatícios.
O secretário geral adjunto da OAB-PR, José Francisco Machado de Oliveira, coordenador geral do Setor de Processo Disciplinar da OAB-PR, disse ontem que assumiu a função há dois anos e já nomeou uma relatora para todos os casos envolvendo o nome do advogado Pereira. A advogada Rosicléia Gruber será a responsável pela relatoria dos procedimentos contra o advogado. Oliveira disse que não pode responder pela gestão passada, mas explicou que todos os processos disciplinares garantem ao acusado o direito a ampla defesa. Muitas vezes são anexadas provas que acabam levando os autos para o arquivo caso de 18 procedimentos instaurados contra Pereira.


