OAB pede intervenção na polícia de Alagoas
Agência Folha
De Recife
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Alagoas, Helder Vasconcelos Júnior, pediu ao Ministério da Justiça intervenção federal na Polícia Civil de Alagoas, em razão do assassinato do eletricista e artista plástico José Joaquim Araújo, 45. Vasconcelos Júnior alega que a Polícia Civil do Estado não tem condições de investigar o crime, que envolve policiais de duas delegacias da própria instituição.
Araújo foi morto quinta-feira com cerca de 20 tiros, dez horas depois de ser inocentado da acusação de matar um policial civil e libertado. Após ser solto, ele acusou policiais de tê-lo torturado. Entidades ligadas à defesa dos direitos humanos acreditam que o assassinato do eletricista foi uma queima de arquivo, praticado para evitar que os torturadores fossem denunciados.
O suposto assassino do policial civil José de Melo é o funcionário público Iramir Salustiano. Ele se entregou três dias após a prisão de Araújo e confessou o crime. O governador do Estado, Ronaldo Lessa (PSB), não aceita uma eventual intervenção federal no caso.
Até a tarde de ontem nove policiais civis haviam sido afastados de suas funções por tempo indeterminado. Outros dois tiveram prisão provisória decretada pela Justiça Estadual. O delegado que preside o inquérito, Arnaldo Soares de Carvalho, solicitou ao Instituto de Criminalística do Estado que recolhesse materiais para exames residuográficos de 70 policiais civis.
Até o final da tarde de ontem o Ministério da Justiça, comandado por Renan Calheiros, de Alagoas, não havia respondido à solicitação feita pela OAB estadual. Hoje, representantes do Conselho Nacional dos Direitos Humanos do órgão virão ao Estado para avaliar a situação. A juíza Elizabeth Carvalho, que decretou a prisão dos dois policiais, o promotor do caso, Carlos Jorge Barros, e Lean Araújo, procurador de Justiça do Estado, receberam telefonemas anônimos com ameaças de morte.





