A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) lança amanhã em Dourados (MS), uma campanha contra a impunidade dos autores de assassinatos ocorridos na cidade e também na faixa de fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. A OAB vai instalar um painel em frente à sede da entidade em Dourados (215 quilômetros ao sul de Campo Grande) para contar os dias que se passam sem que a polícia tenha prendido o autor do último assassinato de advogado na cidade.
O advogado trabalhista Divino Mandeli de Paula, 39, que prestava assessoria jurídica para sindicatos de trabalhadores, foi morto na quinta-feira com 13 tiros de pistola 9mm na varanda de sua casa. Segundo a polícia local, Paula é o quarto advogado a sofrer atentados na cidade nos últimos dois anos - três morreram e um ficou paraplégico. Nenhum dos casos foi elucidado.
O presidente da OAB no Estado, Carmelino Rezende, 51, disse que a campanha não é apenas para pedir o esclarecimento de crimes contra advogados. Levantamento inédito do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza de Campo Grande, apontou 231 assassinatos sumários e desaparecimentos na fronteira Brasil-Paraguai entre junho de 95 e julho último. A pesquisa foi entregue ao ministro da Justiça, Íris Rezende.
A presidente do centro Marçal de Souza, Gisele Marques Fontoura, 29, disse ontem que os ‘‘matadores agem livremente e os crimes de pistolagem não são apurados na região’’. Além da campanha, a OAB prepara para setembro a 2ª Jornada sobre Execuções Sumárias e Desaparecimentos Forçados na Faixa de Fronteira Brasil-Paraguai.

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