OAB intercede por brasileiro sequestrado na Rússia
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sábado, 15 de maio de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 16 (AE) - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está empenhada em obter o apoio do governo para conseguir, o mais rapidamente possível, libertar o brasileiro Geraldo Cruz Pires Ribeiro, de 54 anos, enfermeiro da Cruz Vermelha Internacional, sequestrado em Nalchik, Rússia, na manhã de sábado (15).
Procurado pelo filho de Geraldo, Tomás Emanuel Ribeiro Cruz, que está passando férias com a família do pai, no Brasil, o presidente da OAB, Reginaldo de Castro ligou, imediatamente, para o secretário dos Direitos Humanos, José Gregori.
Castro prometeu também acionar o Itamaray e contactar o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, deputado Nilmário Miranda (PT-MG).
Segundo o presidente da OAB, José Gregori falou que iria levar o caso ao presidente Fernando Henrique Cardoso, além de acionar a embaixada do Brasil, em Moscou. "O sequestro é lamentável e de altíssimo risco", declarou Castro diante dos familiares.
Segundo ele a região de Nalchik, próxima da Chechênia, é de alta criminalidade. O cunhado de Geraldo, Sérgio Salgado de Pinha Júnior, que acompanhou o sobrinho na visita à OAB, contou que a Cruz Vermelha Internacional não costuma pagar resgate, até mesmo para não incentivar esse tipo de ação contra seus funcionários, espalhados por regiões de risco no mundo inteiro.
De acordo com o economista Sérgio Salgado, que é casado com uma irmã de Geraldo Ribeiro, seu cunhado foi exilado político e mora fora do Brasil desde 1971, quando fugiu para o Chile perseguido pelo regime militar. "Há 10 anos ele tenta voltar ao Brasil, mas ainda não conseguiu ser reintegrado na Caixa Econômica Federal, onde trabalhava antes de fugir do País", contou.
Segundo Salgado, do Chile, Geraldo Ribeiro foi para a Nova Zelândia, onde mora com o filho até hoje. Foi na Nova Zelândia que ele entrou para a Cruz vermelha, depois de fazer um curso de enfermagem. Com mais de 50 missões no mundo inteiro, inclusive em países como Angola e Afeganistão, Sérgio Salgado afirmou que seu cunhado está acostumado com situações de risco.
"Estou muito preocupado com meu pai", afirmou Tomás Ribeiro que só agora, depois de alguns meses no Brasil, está começando a falar o português. Ele contou que seu pai prometeu que esta seria sua última missão. "Ele estava empenhado em voltar ao Brasil", disse o cunhado.
De acordo com os familiares foi a própria Cruz Vermelha Internacional que avisou, na manhã de ontem, do sequestro do brasileiro. "Ele estava saindo de uma escola, onde tinha ido ministrar um curso de primeiros socorros, quando foi sequestrado juntamente com uma ajudante russa", contou Salgado. Segundo o cunhado de Geraldo a ajudante russa foi libertada no caminho, mas até agora há nenhuma notícia de Geraldo.
Os familiares estão convencidos de que o sequestro não tem conotação política. "Isso foi obra de criminosos comuns", disse Salgado. A família está muito preocupada pela falta de contato dos criminosos que, até o momento, não pediram resgate.
Segundo a assessoria de imprensa da OAB chegou à entidade a notícia, veiculada por uma agência internacional, de que a Cruz Vermelha Internacional teria suspendido toda a ajuda humanitária que presta aos países até que o funcionário brasileiro seja devolvido a salvo.


