O ano de 2002 começa com um grande desafio para a Ordem dos Advogados do Brasil: o recadastramento, que se prolongará até o dia 31 de dezembro, de uma das maiores categorias profissionais do País. Recadastrar significa trocar todas as atuais carteiras e cartões de identificação dos advogados por novos modelos mais modernos e seguros. Todos os advogados devem efetuar a troca nas Seccionais dos Estados nos quais estão inscritos mediante pagamento de uma taxa de R$ 35,00. As carteiras antigas receberão um carimbo classificando-as como documento histórico.
Atualmente, de acordo com os cadastros existentes, estima-se que o número de advogados no Brasil varia de 450 a 500 mil. Porém, nem todos exercem a profissão. Os que realmente exercem são aproximadamente 400 mil. O certo, no entanto, é que se espera um crescimento significativo nos próximos quatros anos, como decorrência natural da explosão de novos cursos jurídicos verificada entre 1998/2000. Os bacharéis deverão ingressar no mercado, em massa, a partir de 2003/2004.
O problema é que os cadastros disponíveis são falhos, tanto pela falta de infra-estrutura das Seccionais das OABs quanto por descuido dos próprios advogados, que deixam de informar quando se aposentam, trocam de atividade ou mudam de endereço.
O Conselho Federal da Ordem, nos últimos meses, passou a investir alto em informática justamente para obter um retrato mais fiel da classe e tornar mais efetiva a fiscalização do exercício profissional. Com o novo cadastro, por exemplo, será mais fácil identificar um advogado que esteja impedido de exercer a atividade seja por inadimplência com a sua Seccional, como também por causa de alguma punição ético-disciplinar. Quando o novo sistema estiver funcionando, todas as Seccionais estarão interligadas ao computador central do Conselho Federal, em Brasília.
Além disso, o cadastro servirá para tirar outra dúvida e, quem sabe, acabar com a hegemonia dos homens na advocacia. Não existe um controle exato do número de advogados homens e mulheres. Em alguns Estados, como São Paulo, por exemplo, já se sabe que homens e mulheres estão empatados. Mas, segundo informações das instituições de ensino, a maioria dos estudantes que frequentam os cursos jurídicos, atualmente, é feminina. Ou seja, já se espera uma maioria de mulheres entre os advogados. Foi pensando nisso que o Conselho Federal criou, no ano passado, a Comissão Nacional da Mulher Advogada, presidida pela conselheira federal paraense Maria Avelina Hesketh

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