OAB do PI quer organizar ato popular contra impunidade
Brasília, 11 (AE) - A subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Piauí pretende organizar uma grande manifestação popular contra a impunidade no dia 25, com apoio da Igreja Católica, de sindicatos e associações de moradores.
"Esperamos que as autoridades do Estado também assumam a manifestação", cobra o presidente da OAB do Piauí, Nelson Nery Costa, que acusa o governador Francisco Moraes Souza (PMDB), o Mão Santa, de estar "vacilante" em relação às denúncias. "O governador está agindo apenas sob pressão, conforme os acontecimentos; se ele está incapaz de resolver os problemas do Estado, a sociedade civil assume", sustentou.
O presidente da OAB do Piauí não acredita numa intervenção do governo federal no Estado, mas lembra que as investigações só avançaram depois da iniciativa das autoridades federais, que entraram no caso para apurar denúncias envolvendo crimes federais, como o tráfico de armas, a emissão de notas fiscais frias e irregularidades no uso de recursos da Caixa Econômica Federal (CEF). Costa suspeita que exista uma conexão entre o crime organizado no Piauí e as ações criminosas que estão sendo investigadas em outros Estados.
"O problema não é local, num Estado pobre e esquecido com o Piauí; a doença é nacional e essa situação nos Estados periféricos é apenas a ponta do iceberg", analisa, criticando a omissão do governo federal no enfrentamento dessas questões.
Ele observa que, em localidades como as favelas de São Paulo e do Rio, ou no polígono da maconha no Nordeste, há enclaves onde a autoridade pública não existe.
Costa afirma que a OAB apóia o início de uma "operação mãos limpas" para combater o crime organizado no Brasil porque a sociedade civil está "tomada de medo" e o processo de desgaste das instituições que acontece na Colômbia está muito próximo de ocorrer no País. "Esperamos que o Brasil não se torne uma Colômbia."





