OAB diz que 'brincadeira' de militares precisa ser coibida
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sábado, 19 de novembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) deverão acompanhar informalmente todas as investigações e o encaminhamento dado no Inquérito Policial Militar (IPM) do Exército que apura a suposta prática de tortura entre sargentos antigos e recém-formados de dentro da 2 Companhia de Fuzileiros, conhecida como ''Pantera'', no 20º Batalhão de Infantaria Blindado (BIB), em Curitiba.
Doze sargentos foram afastados das atividades da companhia e estão cumprindo expediente integral em outra unidade. Eles aparecem nas imagens gravadas no dia 25 de outubro e divulgadas pela Rede Globo. As imagens mostram práticas envolvendo choques elétricos e chineladas nas plantas dos pés. Alguns sargentos tiveram a pele queimada com um ferro de passar. Outros sofreram afogamento com baldes d'água.
O chamado ''trote'' aplicado aos novatos foi repudiado pelo presidente da OAB-PR, Manoel Antonio de Oliveira Franco, que esteve ontem com o comandante da 5 Região Militar (com sede em Curitiba), general Túlio Cherem. ''Vamos acompanhar todo o processo de maneira informal porque acreditamos no Exército. Essas ações, esses desvios de conduta que vimos, precisam ser coibidas. São práticas absurdas e que nunca pensamos que ocorressem'', afirmou Franco.
O general Túlio Cherem voltou a prometer transparência no IPM que investiga os 12 militares envolvidos no ''trote''. Ele negou a existência de tradição em trotes dentro do Exército. ''Não concordo que isso exista aqui. Comemorações e confraternizações sadias existem. Mas tudo com muito respeito humano. Brincadeira ou não, os excessos cometidos serão punidos'', afirmou. As punições previstas internamente para casos de trote com excessos vão desde prisões disciplinares até exclusões. Cherem confessou que viu casos parecidos em outras companhias, mas disse que todos os envolvidos foram punidos com rigor. O IPM tem prazo de 40 dias para ser concluído.
O presidente da Comissão Estadual dos Direitos Humanos, Cleverson Marinho Teixeira, classificou o episódio como uma ''brincadeira de mau gosto''. Ele é oficial da reserva do Exército e acredita que o episódio é próprio da idade dos sargentos que participaram do ''trote'' (entre 20 a 22 anos). ''Espero que esse episódio nos ensine o respeito aos direitos sociais, as diferenças sociais. Temos que decidir: é válido o trote ou temos que acabar de vez com essas brincadeiras de mau gosto que acontecem em todos os níveis e em todas as profissões. Desde os bancos universitários quando se passa no vestibular até no Exército'', disse Teixeira.
Ontem, o advogado de defesa dos sargentos acusados do trote violento, Antônio Augusto Figueiredo Basto, disse ter como provar que as filmagens denunciando as agressões não passaram de uma ''brincadeira''. Disse que está aguardando a perícia do material para divulgar o resultado à imprensa.


