OAB condena agressão a jornalista
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sábado, 01 de janeiro de 2000
Por Regina Terraz, Rosa Costa e Renato Andrade 
Brasília, 01 (AE) - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo Castro, condenou hoje a agressão a jornalistas praticadas por soldados da Polícia do Exército na festa de raveillon, no Forte de Copacabana, da qual participou o presidente Fernando Henrique Cardoso. Em nota distribuída hoje, Castro classificou o fato como "lamentável, covarde e revoltante".
Pouco antes do início da queima de fogos na praia de Copacabana, ventos fortes e a chuva provocaram a queda de parte da estrutura do galpão da festa organizada para o presidente. O fato foi registrado pelos fotógrafos que estavam no local. Irritados, os soldados do Exército, que respondiam pela segurança do evento, agrediram jornalistas. O fotógrafo José Fernando Bezerra, do Jornal do Brasil, foi atingido por pontapés. Um dos soldados apontou uma arma para o fotógrafo Ed Ferreira, do Grupo Estado.
"No mesmo dia em que o presidente da República revela que seu grande desejo para o ano 2000 é o fim da impunidade, ocorre ao seu lado a lamentável, covarde e revoltante agressão a um repórter fotográfico que apenas procurava exercer com profissionalismo seu trabalho", observa Castro, na nota.
Segundo ele, Fernando Henrique Cardoso deve punir os soldados envolvidos no incidente. "O presidente da República poderá dar consequência pratica ao seu desejo determinando a rigorosa punição dos autores dessa violência." No Rio, contudo, nenhuma autoridade prometeu apurar o incidente. Na área militar, também niguém quis manifestar-se sobre caso.
Conflito - Além de ter sido espancado por soldados diante de toda a imprensa e de alguns convidados, o fotógrafo José Fernando Bezerra foi levado pelos policiais do Exército até um de seus dormitórios no forte, onde, segundo contou, continuou sendo surrado. "Um deles (soldados) me batia reclamando de estar trabalhando", contou o fotógrafo.
Bezerra foi hoje até o Instituto Médico Legal para fazer exame de corpo de delito. Por causa dos pontapés que levou, o fotógrafo ficou com o corpo marcado por diversos hematomas.
Desorganização - Preparada pela prefeitura do Rio para ser o maior acontecimento da virada do ano na cidade, o reveillon no Forte de Copacabana acabou transformando-se num fiasco. Os responsáveis pelo evento falharam na organização e segurança.
A segurança em relação ao presidente era precária. "Quem entrava de carro, podia até levar uma bomba que ninguém incomodava", constatou o senador Ney Suassuna (PMDB-PB). Quem passava direto, com pose de autoridade, tinha passe livre; quem se identificava para entrar no "galpão presidencial" era barrado.
Pouco à vontade, Fernando Henrique não teve privacidade. Depois de ver a queima de fogos, ele voltou ao salão. Enquanto conversava numa roda, faltou luz, por causa da falha nos geradores. Afastado do grupo por seus seguranças, o presidente sentou com a família a uma das mesas para cear. Foi interrompido várias vezes por convidados que queriam cumprimentá-lo, tirar fotos e pedir autógrafos. Logo depois do jantar, por volta de 1h50, ele deixou a festa com a primeira-dama Ruth Cardoso, de helicópetro. O casal continua hospedado no Rio, na residência no bairro de Gávea Pequena, e deve retornar a Brasília na segunda-feira (03) à tarde.


