OAB apura denúncias de violência contra policiais militares em Andradina, SP
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domingo, 07 de março de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Andradina, SP, 08 (AE) - A Ordem dos Advogados do Brasil em Andradina abriu sindicância para apurar denúncias de violência praticada por policiais militares contra cidadãos abordados durante à noite ou depois de bailes. Nos depoimentos as vítimas alegam que os soldados são violentos, não conversam e consideram qualquer pergunta uma ofensa, motivo para justificar a agressão física. A PM já apura as denúncias.
O presidente local da OAB, Geraldo Shiomi Júnior, disse que a maneira agressiva de agir começou ser verificada na cidade após a chegada de policiais militares que trabalhavam em São Paulo. Shiomi afirma ter decidido abrir uma sindicância porque os advogados designados para defender os queixosos estão sofrendo ameaças e constrangimentos de policiais militares.
Para Shiomi, os soldados afirmam que o cidadão reagiu na hora da abordagem, mas nunca deixam claro que a posição policial é de provocação e busca do desentendimento com o cidadão. Até agora cinco vítimas foram ouvidas pela OAB, entre elas três menores.
Agressão - Todos afirmam que os policiais se sentiram ofendidos apenas com a pergunta do tipo "porque estamos sendo revistados" e a partir daí passaram a agredi-los com socos e pontapés. Alguns fizeram exame de corpo de delito. O casal Ailton de Souza Alves e Sílvia Andréa Rufino de Araújo dizem que foram humilhados no caminho para casa e que os policiais militares os agrediram sem motivo.
Sindicâncias - No Batalhão da PM de Andradina, o major Luís Roberto Barbosa disse que "nunca viu um policial agredir sem motivos" e "considera normal o emprego da força quando a pessoa resiste a uma abordagem". Apesar disso, o major Barbosa diz que "os excessos serão punidos". Das três sindicâncias abertas pela PM, uma já se transformou em inquérito porque segundo o Barbosa, "há indícios de que houve crime".
O major Barbosa negou que os policiais oriundos da capital paulista sejam mais violentos. Disse que dos 12 apenas dois estão nas ruas e os demais foram designados para trabalhar na penitenciária recém-inaugurada.


