RIO - O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Francisco Ernando Uchôa, deve adiar a entrega do relatório sobre o atentado a bomba contra a OAB regional e a Câmara de Vereadores do Rio, em 1980, ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que estava prevista para 8 de janeiro.
O relatório, elaborado em oito meses pelos investigadores particulares José Roque dos Santos e Tarcísio Pinheiro, ‘‘não dispõe de indícios de provas’’, segundo o conselheiro da OAB do Rio Vanderlei Rebello. A divulgação precipitada do documento provocou críticas até da esteticista Lúcia Vieira Caldas, de 49 anos, filha única do dirigente do PCBR Mário Alves, morto em janeiro de 1970 no Doi-Codi da Polícia do Exército.
De acordo com o relatório, os autores dos atentados tinham como alvo o vereador Antônio Carlos Carvalho (PMDB) e o então presidente do Conselho Federal da OAB, Eduardo Seabra Fagundes, que queriam reabrir as investigações sobre a morte Mário Alves, no quartel do Exército da Rua Barão de Mesquita.
O documento conclui que os autores dos atentados foram justamente os militares e civis que trabalhavam no Doi-Codi em 1970 e seriam responsáveis pelo sequestro, tortura e morte de Alves. ‘‘Esse pessoal vai se aproveitar da falta de provas e ainda pode processar a OAB’’, comentou Lúcia.
O relatório também cita - mas não explica - o suposto envolvimento do marechal Odílio Denys e do general Golbery do Couto e Silva nos atentados.

mockup