O uso de aspirina contra o infarto
A aspirina é receitada na prevenção de doenças cardiovasculares e acredita-se que essa droga já tenha salvado milhões de pessoas, principalmente se for levado em conta seu baixo custo. Para cada 150 pessoas que tomam o remédio e que nunca tiveram infarto ou isquemia cerebral, previne-se um evento desse tipo.
Esse benefício é maior ainda para pacientes que tiveram algum problema, como, por exemplo, pacientes submetidos a angioplastias e cirurgias cardíacas, em que o uso da medicação é imprescindível, salvo contra-indicações.
E a aspirina (ácido acetilsalicílico) tem todo esse benefício cardiovascular porque inibe a formação de aglomerados de plaquetas, as células do sangue responsáveis pela coagulação. Ataques cardíacos e isquemias cerebrais são causados pela obstrução de um vaso e as plaquetas são essenciais na formação de coágulos. Portanto, a aspirina é um antiagregante plaquetário.
Entretanto, nos últimos anos, muitos pacientes continuam sofrendo eventos cardiovasculares, o que levantou algumas questões: todas as pessoas são capazes de ter as plaquetas inibidas pelos efeitos da aspirina? Existe resistência à aspirina? A resposta é sim. Não só há resistência à aspirina como isso determina um risco maior de infartos e derrames.
Há testes que mostram o efeito nas plaquetas e identificam pessoas que não respondem ou têm respostas insatisfatórias à droga. Esses pacientes acompanhados ao longo dos anos apresentaram pior prognóstico do que os que responderam à aspirina.
Embora não totalmente esclarecidos, já são conhecidos mecanismos envolvidos nessa resposta desigual. Um deles é a genética (há formação de coágulos mesmo com a droga). A associação a outros medicamentos que inibem plaquetas parece ser a melhor saída, embora também exista resistência a esses remédios.





