O Universo pode ser finito e menor do que se imagina
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 19 (AE) - A antiga dúvida sobre os limites do Universo - finito ou infinito? - parecia abafada sob um senso comum de infinitude. Mas os anos 90 - e a crescente capacidade tecnológica de observação astronômica - reavivaram a discussão e lançaram uma dúzia de astrofísicos de volta ao estudo da topologia do Universo, onde possivelmente se encontra a resposta.
Entre os pioneiros neste campo de pesquisa está o brasileiro Hélio Fagundes, do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual de São Paulo, UNESP (http://www.ift.unesp.br), citado num artigo recente da "Scientific American" (http://www.scientificamerican.com/1999/0499issues/0499weeks.html ) entre seus pares russos, ingleses, americanos e indianos. Hélio Fagundes publicou seu primeiro artigo sobre topologia do Universo em 1982 e atualmente orienta dois doutorandos na matéria, com artigos em fase de publicação em revistas internacionais, como a "Physics Letters" e a "General Relativity and Gravitation".
Fagundes explica que o estudo da topologia procura deduzir a forma do Universo, ou seja, de que modo um observador externo veria arrumadas as galáxias se fosse possível olhar o Universo de fora. "Se o Universo tiver uma forma fechada, como uma esfera, só para dar um exemplo mais simples, provavelmente muitas das galáxias que observamos são, na realidade, imagens diversas da mesma galáxia, que chegam a nós por caminhos diferentes", diz.
"Grosso modo, seria como uma transmissão de rádio emitida na Europa em todas as direções: uma parte das ondas nos chegaria no Brasil diretamente, outra parte daria a volta na Terra e chegaria mais tarde; receberíamos, então, duas transmissões, que na realidade são a mesma, viajando por caminhos diferentes."
Como um labirinto de miragens, o Universo pode, então, ser finito e muito menor do que se imagina. Pode ser bem menor do que o chamado Universo observável, ao alcance de nossos instrumentos e cálculos, ao qual hoje se atribui a idade de 15 bilhões de anos.
"A comprovação das diversas teorias sobre a topologia do Universo ainda estão distantes. A evolução dos últimos anos é muito grande, porém ainda não há dados conclusivos. Mas temos boas expectativas em relação aos novos observatórios programados para diversas partes do mundo, como o telescópio espacial projetado pela agência espacial norte-americana, a NASA, para substituir o Hubble, em 2007", acrescenta Fagundes.
Enquanto isso, a partir de observações e muito cálculo, algumas formas mais simples, como a própria esfera, já estão sendo descartadas. "Se o Universo fosse esférico teria muito mais matéria do que a observada", conta o pesquisador. "A mais aceita, atualmente, é a forma hiperbólica, como uma sela de cavalo".
Maiores informações com Hélio Fagundes pelo telefone (011) 31779015 ou pelo endereço eletrônico [email protected].


