Curitiba - Entre 1989 e 1998 o número de homicídios no Brasil aumentou 45,5%, enquanto a população aumentou 13,7% no mesmo período. Hoje, o Brasil registra cerca de 120 mil mortes por causas externas, principalmente acidentes de trânsito e homicídios. Estes números colocam o Brasil em terceiro lugar em mortalidade por violência na América Latina, atrás apenas da Colômbia e Venezuela. Preocupada com essa situação, a Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior da Câmara dos Deputados criou, no ano passado, uma Subcomissão Especial de Violência Urbana.
Depois de realizar um seminário em Brasília e elaborar um documento-base sobre a situação no País, a subcomissão passou a discutir o problema em seminários regionais. Desde ontem, Curitiba é sede do Seminário da Região Sul sobre Violência e Saúde, que reúne especialistas dos três estados. O objetivo é traçar um panorama da violência no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e discutir soluções para o problema.
As causas externas são, hoje, a segunda causa de morte no País, perdendo apenas para as doenças do aparelho circulatório. Já no Paraná, ela está em terceiro lugar, perdendo, ainda, para os cânceres, que ocupam a segunda posição. No Paraná e em Santa Catarina os acidentes de trânsito são as principais causas da violência, contra os homicídios no restante do País. Apesar das diferenças, a Região Sul não escapa à realidade nacional. Hoje o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta cerca de um terço de seu orçamento no tratamento de pacientes vítimas de causas externas. Dados da Assessoria Técnica de Trauma e Violência do Ministério da Saúde revelam que ano 2000, houve quase 700 mil internações por causas externas, resultando em gastos de R$ 351 milhões pelo SUS.
Para o deputado federal Gustavo Fruet (PMDB-PR), relator da subcomissão, é fundamental integrar o poder público e a sociedade civil nessa discussão. Para ele, a causa do crescimento da violência, entre outros fatores, deve-se ao crescimento desordenado das cidades. Por isso, ele defende o planejamento urbanístico associado a políticas de geração de emprego, educação, lazer, saúde e segurança comunitária. Entre as soluções, Fruet cita soluções fáceis como a criação de áreas de lazer e espaços de profissionalização, que ajudem a retirar as crianças das ruas.
‘‘É preciso discutir também no sentido da saúde o que fazer para reduzir a violência. Porque não adianta a saúde só entrar na assistência, ela tem que se voltar para a prevenção’’, ressaltou Rita de Cássia Barradas Barata, representante do Conselho Nacional de Saúde e chefe do Departamnto de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Para ela, os serviços de saúde têm condições de se antecipar e evitar atos de violência.
Além de Curitiba, foram realizados seminários regionais em Belo Horizonte (MG) e Recife (PE). Até o final de junho haverá mais um encontro em Belém (PA). Em dezembro, os relatórios dos seminários serão discutidos na 4ª Conferência das Cidades, que acontece em Brasília, e que tem como tema a violência urbana.

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