O sofrimento de quem já teve dengue
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Quem já teve dengue sabe bem a importância de manter o mosquito transmissor da doença bem longe de casa. Além do risco de ter o tipo hemorrágico, que é o mais grave, as dores e o mal-estar são lembranças ruins de uma doença que a população pode evitar, basta ter um pouco mais de cuidado com a higiene de casa.
O pequeno Gabriel Ezequiel Ramos, de 11 anos, morador do Jardim Monte Cristo (zona leste), teve dengue em 2011. Além de ter que ficar internado por dois dias, as dores incomodaram bastante. "Comecei com dor de cabeça, minha mãe deu um remédio, mas não melhorou muito. Depois começaram a aparecer umas manchas vermelhas pelo corpo. Eu tinha muita ânsia de vômito e dor, principalmente em volta dos olhos", conta. Ele diz que a mãe sempre tomou cuidado com o quintal, por isso acredita que o problema tenha vindo da casa de algum vizinho.
A dona de casa Eleandra Aparecida Ramos, mãe de Gabriel, diz que no início achou que a dor de cabeça do filho era algo simples, mas quando o menino começou a ficar com o corpo manchado, achou melhor levá-lo ao médico, pois já desconfiou que fosse dengue. "Como ele é muito arteiro, o médico preferiu deixá-lo internado para tomar soro. Ele acabou perdendo um dia de aula, teve que fazer vários exames de sangue, mas ficou bem. O duro é que, depois que ele teve dengue, eu e os meus outros filhos, de 7 e 4 anos, também adoecemos. Eu não conseguia nem mexer o corpo de tanta dor, tive muita febre também, a cama parece que pegava fogo, foi horrível", descreve.
De acordo com ela, desta vez as crianças tomaram soro em casa, com orientação do médico. O medo agora é desenvolver a forma hemorrágica da doença. Por isso, os cuidados com a casa foram redobrados.
Também na zona leste, o casal de empresários Márcia Ultramar e Luciano Rosa, proprietários de um pet shop na Vila Siam, tiveram dengue ao mesmo tempo. Como não contam com funcionários, tiveram que fechar a loja por dois dias por causa da doença.
"Eu fiquei doente primeiro e no dia seguinte foi o Luciano. Parecia uma gripe bem forte, tive diarreia, moleza e manchas vermelhas pelo corpo, que coçavam bastante. Eu tive que ficar no posto de saúde um dia, para tomar soro e ele, dois", relembra Márcia.
Luciano conta que, como trabalha fazendo entregas e buscando animais para o banho, a indisposição foi o pior dos sintomas. "Eu queria ficar deitado o tempo todo. Saía para buscar dois animais, voltava e deitava. Depois buscava mais um e ficava deitado de novo. Foi muito ruim", lamenta. Ao todo, foram sete dias com a saúde bastante debilitada.
O casal conta que teve medo que a doença evoluísse para a forma hemorrágica, mas que esse temor é muito maior agora. "A gente vê mosquito por toda parte, já que a infestação está grande. Mas as pessoas só se preocupam depois que alguém fica doente", aponta ele. Para Márcia, as pessoas já sabem o que deve ser feito para evitar a formação de focos do mosquito, por isso evitar o problema é uma questão de bom-senso e educação.
"Tem coisas simples que as pessoas podem fazer. Algo que ficou comum agora é ter piscina em casa, aquelas infláveis. Em casa nós sempre a mantemos tampada, filtramos a água e usamos cloro, para evitar que o mosquito possa se reproduzir. É preciso tomar bastante cuidado porque não adianta um cuidar e o outro não", finaliza Márcia.
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