Paris, 01 (AE) - Pela primeira vez no Roland Garros, templo do tênis mundial, uma festa brasileira. Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni ocupam amanhã à tarde a quadra central e um ar de samba toma conta das quartas de final do principal torneio em terra batida do circuito. O feito brasileiro ganha maior destaque, pois esses foram os dois únicos brasileiros que disputaram o torneio este ano, enquanto trinta tenistas franceses, homens e mulheres, já foram eliminados. Sem nenhum francês na disputa, a torcida francesa no Roland Garros está sendo conquistada por Guga e "Meli-genio", forma que o jornal esportivo "L"Equipe", encontrou para definir o "pequeno gênio", Fernando Meligeni, que após derrotar o espanhol Mantilla, está classificado para a fase final do mais prestigioso torneio europeu, ao lado de Wimblendon. O mesmo jornal está advertindo a equipe francesa de tênis que em meados de julho em Pau, no sul do país, deverá enfrentar essa dupla pela disputa da Taça Davis para esses "diabos" vindos do Brasil.
Se os dois brasileiros procuram evitar falar da Copa Davis, pelo menos até domingo, quando termina o Roland Garros, os jornais franceses já se preocupam com esse próximo passo do tênis nacional, pois já estão fora do Roland Garros. Por isso, o jornal "Le Figaro" comenta essa possibilidade após lembrar a vitória do samba sobre a marselhesa em Auteuil, esse bairro chic de Paris onde se disputa o torneio. Os jornais parisienses não escondem sua simpatia pelos tenistas brasileiros, mas a nota destoante partiu da televisão estatal, "France 2" ao anunciar a vitória dos nossos dois tenistas. "Eles sempre foram fortes nas imediações do Bois de Boulogne", afirmou um dos comentaristas, numa alusão a presença de travestis brasileiros nessa região da cidade na década passada.
A Gugomania está de volta. Esse foi apenas um comentário infeliz, pois a imprensa francesa parece adotar a causa brasileira. Meligeni, mesmo não contando com uma musculatura de Rambo, é um dos tenistas mais temidos por seus adversários nos vestiários, afirma seu treinador Ricardo Acioli. O Brasil devora a terra batida. O jornal só lamenta que Ronaldinho tenha escolhido o ano errado para visitar o Roland Garros, 1998, um ano em que Guga foi eliminado rapidamente e logo depois o Brasil perdeu a final da copa no Stade de France. O "Le Parisien", outro matutino francês de forte circulação, confirma a impressão de que os brasileiros foram adotados pelos jornalistas franceses lembrando no seu título esportivo: "A Gugomania está de volta". O jornal lembra que as cores verde e amarelo voltaram a predominar no Roland Garros, dois anos após a primeira vitória de Kuerten, mas agora, acompanhado de mais um brasileiro.
Fora da França, os espanhóis confiam em Alex Corretja, o único soldado que sobrou da "Armada Espanhola" em grande parte derrotada pelos homens do Mercosul, vindos do Brasil, Uruguai e do Chile. El País, principal jornal espanhol não esconde sua surpresa após a eliminação de Mantilla por Meligeni e acredita que Alex Corretja poderá vingá-lo ainda amanhã. Para o jornal espanhol, Mantilla mostrou-se demasiadamente conservador, faltando agressividade e uma boa dose de confiança.
Finalmente, o italiano "Gazzetta dello Sport", sem poder torcer para nenhum italiano este ano, afirma que Paris se entregou ao samba dos brasileiros, após a vitória de Kuerten e Meligeni. O jornal revela que foi o tênis quem retirou Meligeni das ruas de São Paulo, como se ele tivesse sido, na infancia, "menino de rua", uma tentativa de justificar em suas páginas, o lado exótico dessa presença brasileira nas finais de um torneio que a burguesia européia acompanha muito de perto.

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