O sabor da cozinha medicinal
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de junho de 2006
Deborah Bresser<br>Agência Estado 
Ninguém precisa virar um passarinho e comer alpiste para ter uma alimentação saudável, que garanta uma qualidade de vida melhor. Dê uma olhada nas receitas a seguir e comprove: há sabor na cozinha medicinal, em que os alimentos de fato evitam doenças como câncer, doenças cardiovasculares, osteoporose e obesidade, responsáveis por 60% das mortes no Brasil.
''A Organização Mundial de Saúde fez um relatório com 70 especialistas em nutrição de 23 países. Todas as pesquisas atestam que pessoas que comem grandes quantidades de cereais integrais têm significativamente menor incidência de doenças cardíacas e morrem menos de enfarte'', confirma o médico Sidney Federman, que faz parte da equipe de profissionais da Divisão de Doenças Crônicas Não-Transmissíveis da Secretaria Estadual de Saúde.
Pequenas mudanças no cardápio, garante o médico, poderiam trazer imensos benefícios. ''Trocar o arroz branco pelo arroz integral, por exemplo. O arroz integral abaixa o colesterol total e o LDL. Nós temos de incentivar a população a consumir arroz integral. As pessoas desconhecem esses benefícios'', defende Federman.
Outro dado importante: todas as massas deveriam ser feitas com farinha de trigo integral, além de centeio, aveia e outros grãos. ''Bolachas, pães, tortas, tudo o que leva farinha de trigo deveria ter farinha de trigo integral. Isso causaria um impacto fortíssimo na redução de casos de derrame, hipertensão, enfarte e câncer.''
Pesquisa realizada em North Karelia, na Finlândia, teve resultados surpreendentes nesse sentido. O país, com cinco milhões de habitantes, possuía a maior incidência de enfartes do mundo. Até que um médico, o médico Pecca Puska, iniciou uma vasta campanha para mudar os hábitos alimentares da população. O arroz passou a ser integral. Pães e bolos adotaram o centeio. Em vez de lácteos (gorduras saturadas), como queijos e manteigas, passou-se a usar óleos de gergelim, girassol e canola. A província reduziu em 73% as mortes por enfarte. Na Finlândia como um todo, a redução foi de 68%.
''Em outros países, não se conseguiu um resultado tão importante como esse, mas aqui, no Brasil, a previsão é que, neste ano, morram 300 mil pessoas por doenças cardiovasculares, principalmente enfarte. Com a alimentação que estamos propondo, com a mudança de alguns hábitos, seria possível reduzir esses casos em até 70%'', acredita Federman.
Os alimentos integrais têm efeito protetor, pois as fibras captam a gordura e não deixam que ela seja absorvida pelo organismo. Os cereais também possuem 80% mais ácido fólico - cuja função é, entre outras, reduzir a homocisteína no organismo, responsável pela trombose.
Comendo grãos integrais associados a leguminosas (arroz integral com feijão ou pão integral com queijo de soja), os ganhos são ainda maiores, já que, juntos, formam proteínas vegetais completas. E enquanto as proteínas animais aumentam a produção endógena de colesterol, as proteínas vegetais diminuem-na em até 70%. Elas ainda possuem elementos que destroem as células cancerígenas, como as isoflavonas, o selênio e o zinco. ''Existem 40 pesquisas que demonstram que o uso de cereais reduz a incidência de 20 tipos de cânceres mais comuns'', atesta Federman.


