O retorno dos refugiados será uma grande odisséia
Roma, 10 (AE-ANSA) - O retorno a Kosovo será para os refugiados um caminho cheio de obstáculos materiais, misérias morais e profundas desilusões.
As multidões abrigadas provisoriamente na Albânia, Macedônia, Montenegro e em países da União Européia voltarão em ondas durante os próximos meses, dando vida a um retorno que será concluído dentro de um ou dois anos em um Kosovo sem guerra mas semidestruído e empobrecido.
Para o milhão e meio de deslocados e refugiados o fim da guerra não trará automáticas mudanças de sorte, já que a paz não conhece os tempos rápidos e nem os ultimatos da guerra.
"Até setembro regressarão os primeiros 400.000 refugiados", disse otimista a chefe do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Sadako Ogata.
Deslocados em poucos dias pelos ataques aéreos, pelos "erros" da Otan e pelas ameaças de "limpeza étnica" sérvias, agora os kosovares, ajudados pela Kfor e as organizações humanitárias, retomarão sem ilusões o caminho que os levará a Pristina, Prizren, Pec e dezenas de povoados cujos nomes ficaram famosos nas crônicas de guerra.
Deixarão o inferno dos campos de Kukes (Albânia) ou de Blace (Macedônia) para encontrar em Urosevac, Decani ou Podujevo suas casas destruídas ou danificadas, suas famílias divididas, suas atividades cotidianas desaparecidas, arrastadas pelo colapso geral da economia do país.
Regressarão com a esperança de que a comunidade internacional concederá os mais de US$ 740 milhões que a ONU considera necessários para os projetos de reconstrução.
Em Bonn, um porta-voz do Ministério do Interior alemão considerou que "o processo de retorno dos refugiados exigirá muitos meses".
Para evitar o trauma da volta a um país que está de joelhos, muitos refugiados poderão decidir ficar nas nações européias que atualmente os hospedam.
Em Comiso, Itália, uma recente pesquisa de opinião mostrou que 30% dos refugiados desejam permanecer nesse país para depois seguir, em muitos casos, para a Alemanha ou Suíça.
Pertencem a um povo que perdeu tudo, que morreu assassinado pelos sérvios e também pelas bombas da Otan, 75 deles massacrados em 14 de abril por mísseis da aliança atlântica disparados contra uma caravana de refugiados entre Prizren e Djakovica, e outros 87 mortos por fogo aliado nas proximidades de Korisa.
Refugiados sem documentos, destruídos pela Milicija sérvia, sem identidade, sem nada, se dirigirão a um país liberado mas praticamente devastado por 11 semanas de guerra.





