São Paulo - A maioria dos jovens em idade de voto facultativo preferia não votar, segundo pesquisa ''A Voz dos Adolescentes'', divulgada ontem pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Segundo o levantamento, os adolescentes acreditam que a família é a instituição com maior responsabilidade pela garantia de seus direitos, estão insatisfeitos com as condições físicas das escolas, sonham com um futuro melhor, afirmam que ''sempre' usam camisinha, gostam de ir a casa de amigos e assistir televisão.
Foram ouvidos 5.280 jovens em todo o Brasil. O país tem atualmente 21.249.557 adolescentes, ou seja 12,5% do total da população brasileira.
Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, adolescente é a pessoa com idade entre 12 e 18 anos de idade incompletos.
Dos entrevistados, 51% são do sexo masculino e 49% do sexo feminino. A maioria (94%) está matriculada na escola. Dos adolescentes ouvidos, 49% têm entre 12 e 14 anos e 51% têm entre 15 e 17 anos.
Família - A pesquisa mostra que a família é a instituição com maior responsabilidade pela garantia dos direitos dos adolescentes e por seu bem-estar.
Apesar dos atritos comuns com a família na adolescência, a maioria dos jovens ouvidos (95%) considera a família como a instituição mais importante para a sociedade. Eles se sentem respeitados pela família e consideram justa a forma como os pais os corrigem. Segundo 61% dos adolescentes, brigar com a família é o principal motivo de infelicidade.
Fim da pobreza - Questionados sobre alternativas para acabar com a pobreza no país, os entrevistados acreditam que o governo deve gerar empregos (42%), desenvolver ações na área de assistência social (23%), investir em educação (5%) e investir em distribuição de renda (5%). O índice dos que não souberam ou não responderam ficou em 19%.
Violência - O Brasil é um país violento para 86% dos adolescentes entrevistados. Para 83% deles, a violência é resultado de sequestros, assassinatos e estupros, ente outras violências. Causas econômicas, sociais e políticas são responsáveis pela violência para 12% dos entrevistados, 16% não responderam e 8% não souberam opinar. O pedido de mais segurança é feito por 47% dos adolescentes.
Política - A política é importante para 45% dos entrevistados, enquanto 36% consideram que os partidos não têm relevância e 14% declararam-se indiferentes. Dos entrevistados com idades entre 16 e 17 anos (idade de voto facultativo), 41,3% disseram que não participam das eleições de governantes porque acham que ainda não têm idade; 21,9% declararam que não participam porque não gostam de política. Do total de adolescentes pesquisados, 38,6% têm o título eleitoral e 3,4% participam das eleições votando e fazendo campanha para o candidato de sua preferência, enquanto 20,1% disseram que participam das eleições apenas votando.
Cultura, esporte e lazer - Ir a casa de amigos e assistir televisão são as principais atividades de lazer dos adolescentes, 53% 52% da preferência, respectivamente.
Os adolescente passam, em média, 3 horas e 55 minutos diárias assistindo TV, conforme a pesquisa. A programação foi considerada boa ou muito boa para mais de 70% dos entrevistados.
Sobre incentivos do governo para atividades artísticas, 59% dos jovens disseram que o poder público não dá incentivos como poderia, mas oferece condições mínimas para a prática. Já para 21% dos entrevistados, o governo não incentiva e não dá condições aos adolescentes.

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