O que os desastres ensinam
A equipe de pesquisadores está entrevistando os moradores de Marechal Cândido Rondon para identificar o grau de destruição e o tipo de tornado que atingiu a cidade em novembro do ano passado.
Os ventos chegaram perto dos 200km/h e duraram poucos minutos. O tornado deixou um corredor de destruição no sentido Sul/Leste do município. O tornado causou um prejuízo de R$ 26,9 milhões, deixou 500 desalojados e 31 feridos e afetou diretamente 5.688 pessoas. "A população se uniu de uma maneira que poucas semanas depois a cidade estava limpa", comentou Fabrício Salviano, secretário de Segurança e Trânsito, que abriga a Defesa Civil Municipal.
O fenômeno deixou marcas na população. "O tornado ainda está vivo na memória dos que presenciaram esses momentos assustadores. Nas escolas atingidas é o tema mais utilizado nas redações. São ouvidos alguns relatos de pessoas e crianças que não podem ouvir esta palavra, ou mesmo sequer se deparar com uma forte ventania que já são dominadas pelo pânico" conta a professora Karin Hornes, coordenadora do projeto "Tornados do Paraná".
O secretário comentou que a população está mais preparada e sabe como agir em caso de um novo fenômeno. Cafelândia (Oeste) e Francisco Beltrão (Sudoeste) também foram atingidas pelo evento no ano passado e, aos poucos, estão se estruturando para a iminência de um novo desastre.
A secretária da Defesa Civil da Cafelândia, Leonilda Marcelino Ribeiro Sabino, disse que a cidade está estruturando o plano de contingência, definindo os locais de abrigo, mas afirmou que hoje "o município não está preparado para grandes desastres. Ainda está sendo tirado do papel o plano de contingência."
Em outubro do ano passado, o tornado atingiu o Distrito Central Santa Cruz, cerca de 15km da área urbana de Cafelândia, e passou pelos municípios vizinhos de Palmitópolis e Nova Aurora.
SECRETARIA PRÓPRIA
Em Francisco Beltrão, a ocorrência do tornado em julho do ano passado foi considerada atípica, mas motivou a implementação da Secretaria de Assuntos Estratégicos e Defesa Civil.
"Como secretaria podemos ter ações mais rápidas e integradas com outros órgãos e secretarias do município. Também estamos fazendo um trabalho de educação preventiva nas escolas", explicou o secretário Adans Brizola.
Os bairros mais atingidos foram o São Francisco e o São Miguel. "Ficaram imagens de zona de guerra", disse Brizola. A prefeitura firmou convênio com o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) para receber dados em tempo real e também criou um grupo no Whatsapp com a participação de geólogos para monitoramento do clima. "Estamos atentos no sentido de nos prevenirmos para coisa pior".
A Defesa Civil Estadual está começando estabelecer o processo de mensurar os pontos onde os municípios precisam melhorar o atendimento das situações de desastre. De acordo com a Defesa Civil, nem todos os municípios estão preparados para lidar com os desastres naturais, nem alimentam corretamente o sistema de notificação dos eventos. (A.M.P)





