"O que me chama atenção é a sensualidade", diz estuprador
São Paulo, 11 (AE) - Algemado, tênis sem cadarço, blusão de lã , Márcio Rogério Xavier, de 27 anos, na sala de reuniões da Seccional Sul de Polícia, começa a falar de seus ataques a 30 mulheres nos últimos três anos. Ao seu lado, os quatro investigadores que o identificaram e o prenderam. Ele fala de sua infância no Paraná e no Jabaquara e da decepção dos pais, da mulher e dos sogros, pois custaram a acreditar que ele tenha estuprado as mulheres.
Xavier fez questão de dizer que, apesar de ter atacado 30 moças, violentou "apenas" 15. Disse ser diferente de Francisco de Assis Pereira, o maníaco do parque, motoboy como ele e acusado da morte de 9 mulheres. "Ele maltratava as moças, mordia, matava", repetiu. "Eu abusei, mas não sou assassino."
Xavier contou como foram seus ataques. Ao ser perguntado como agiria se fizessem o mesmo com sua mulher ou uma de suas três irmãs, o motoboy afirmou: "Eu seguiria o cara até o inferno para matá-lo." AE - Como você escolhia as mulheres ? Márcio Rogério Xavier - Eu gosto de morenas. O que me chama atenção nas mulheres na rua é a sensualidade, as roupas apertadas, a barriga à mostra. Eu encostava a moto, dizia que as mataria a tiros e as obrigava a subir na garupa. AE- As mulheres não reagiam? Xavier - A maioria não. As que gritaram e me enfrentaram deixei ir embora. Mas foram poucas. Reconheço que fui violento, abusei, mas agora é tarde. AE - Para onde você levava as moças? Xavier - Ia para as matas do Parque do Estado, na Imigrantes, para um terreno da Avenida Ricardo Jafet e para outro terreno no Jabaquara. Eu conheço todos os buracos da região. AE - Você agia todos os dias? Xavier - Não. Mas quase todas as semanas. Muitas pediam para descer, mas eu seguia em frente. Avisava que se não colaborassem eu as mataria. Mas era só para assustar. AE - Quando você começou a abusar das mulheres? Xavier - Foi em 1996. Comecei passando a mão no corpo delas na rua. Encostava a moto, passava a mão e acelerava. Depois, fiquei mais ousado e comecei a violentar. AE - Você já foi processado? Xavier - Uma vez por atentado violento ao pudor e a outra por estelionato. Fiquei cinco dias preso na primeira e dez dias na segunda. Acreditava que não me identificariam porque estava sempre de capacete e dizia para as mulheres não olhar para o meu rosto quando estava sem o capacete. AE - Você também assaltava as mulheres? Xavier - Uma vez. Peguei uma burguesinha no Jabaquara. Ela tinha até celular. Levei para o terreno e fiquei com R$ 80,00, que tinha na bolsa. AE - Sua mulher nunca desconfiou do que fazia? Xavier - Namorei com ela oito anos. Sempre cheguei cedo em casa. Só me atrasava para ir à academia. Fiz modelação porque gosto do meu corpo. AE - Você se inspirou no maníaco do parque para cometer seus crimes? Xavier - Sou parecido com ele só na profissão de motoboy. Fiquei revoltado com a atitude dele que mordia e batia nas vítimas antes de matar. Eu assustei as mulheres, abusei, mas não matei ninguém.





