Curitiba- ''Acho que foi uma injustiça muito grande o que eles fizeram'', lamentou Rosane Prates Amorim Guttjahr, dona-de-casa gaúcha, que tem uma filha de 4 anos, e há nove anos reside em Curitiba. A viúva do empresário Rolf Ferdinando Gutjhar, de 50 anos, acredita que se os pilotos do Legacy tivessem cumprido o plano de vôo, o acidente que causou a morte do marido dela não teria ocorrido.
''Eu entrei com a liminar pedindo que não fossem liberados os passaportes dos pilotos porque essa tragédia só aconteceu porque eles não seguiram as instruções de vôo'', disse indignada. ''Até hoje não se sabe por que o transponder parou de funcionar minutos antes do acidente e voltou a funcionar dois segundos após a colisão. O Brasil e o mundo seguem uma regra de aviação, exceto os Estados Unidos que têm uma própria. Será que eles estavam habilitados a trafegar no espaço aéreo brasileiro?'', questionou.
Outro motivo para manter os pilotos no País, na opinião de Rosane, seria o fato de não ter sido realizada ainda uma perícia interna no jato Legacy. ''Existe uma série de controvérsias nos depoimentos do piloto e co-piloto'', disse. A viúva não pediu indenização pela morte do marido: ''Para mim é um dinheiro sujo''.
Segundo Rosane, peritos da Aeronáutica já afirmaram que da forma que o Legacy foi avariado, ele não poderia ter trafegado em linha reta. ''Como é que diante de todas essas evidências vão permitir que eles saiam daqui? O que a gente quer é justiça, porque as pessoas que morreram não voltam. Tenho uma filha de 4 anos que chora e sofre de saudades do pai. Quero responder para ela, ao menos um dia, que o responsável por esse assassinato pagou por isso'', desabafou.

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