O que é a morte ?
Curitiba - A história da americana Terri Schiavo, 41 anos, que morreu na manhã de quinta-feira, 13 dias depois que a sonda que a alimentava foi retirada, trouxe à tona uma discussão antiga, que envolve ética médica, conceitos religiosos, direito à vida e direito à morte digna, só para citar alguns dos dilemas relacionados.
''O caso do Amauri vai frontalmente contra o que aconteceu nos Estados Unidos. Ele ficou um mês na UTI em coma, não tinha reação nenhuma, depois ficou cinco anos no hospital e se recuperou, contou até o que tinha acontecido com ele nesse período'', lembra o médico neurologista Luiz Roberto Aguiar, do Hospital Cajuru. Ele explica, ainda, que casos como o da americana, que permaneceu 15 anos em estado vegetativo persistente, são muito raros. A maioria morre em poucos anos.
O conceito de vida vegetativa é um problema até para os médicos. ''A consciência tem dois componentes: a reação de despertar, que é função do tronco cerebral; e o conteúdo, que é função do córtex cerebral'', diz Aguiar. ''O paciente em estado vegetativo persistente ou crônico, como era o caso da americana, não tem atividade cerebral. Ele só tem vida vegetativa, ou seja, ele se alimenta, respira, o coração bate. Já o conteúdo, responsável pelas funções superiores, como ler, ouvir, raciocinar, julgar, é zero''.
''O que se questiona, nesse caso, é se a pessoa está viva. O que é a vida? É se relacionar, conversar, viver, e não ficar artificialmente vivo preso a uma cama, ligado a aparelhos, só mantendo o coração batendo'', avalia. Aguiar lembra, ainda, as mudanças que o conceito de morte tiveram ao longo do tempo. ''Antes, morte era quando havia parada cardíaca. Hoje, o fim é declarado quando há morte cerebral''.
Conforme dados do Conselho Federal de Medicina, a definição tradicional de morte clínica tornou-se inadequada a partir dos avanços da medicina. Passou-se então a aceitar como conceito de morte o da morte encefálica ou cerebral, que é caracterizada pela ausência total e irreversível da função da córtex e do tronco cerebral. A Associação Médica Brasileira estabelece critérios rígidos para decretar a morte cerebral, como o coma profundo, apnéia (uso de ventilação mecânica), lesão cerebral estrutural irreversível, entre outros. (M.G.)





