O PT teve uma votação pífia
Folha - O sr. pretende se incorporar a algum dos blocos da Câmara?
Greca - Vou defender a questão do álcool como combustível. Entendo que é estratégico para o Brasil valorizar a idéia da produção de combustível auto-sustentável.
Folha - O sr. vai se encaixar na bancada ruralista?
Greca - A visão ruralista surge de uma reação ao Movimento dos Sem-Terra. Nós temos que considerar que a sociedade despreza a violência urbana ou rural. Tanto é que o PT teve uma votação pífia nesta eleição. Há um medo entre as pessoas que estão produzindo no campo, comprando adubos caríssimos, e mantendo equipamentos agrícolas caríssimos. É o equivalente a um sem-teto dormindo no hall do seu prédio. O problema da reforma agrária tem de ser resolvido com dinamismo. Por que não com a transformação das delegacias do Incra em companhias privatizadas, à semelhança da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná?
Folha - Qual deve ser o papel do governo do Estado nesta questão?
Greca - Só de mediador, porque o recurso está nas mãos do Incra. É um problema que atinge o Brasil inteiro e que é ideologizado, o que dificulta. Valeta e bueiro são obrigações tanto da esquerda quanto da direita. Isso não depende de ideologia porque a vida, na sua essência, não tem ideologia.
Folha - O senhor se considera um liberal?
Greca - Não, eu me considero um humanista.
Folha - No PFL, há espaço para esta posição?
Greca - O PFL aceitou na íntegra o texto que escrevi sobre habitação e desenvolvimento urbano no plano de governo do presidente Fernando Henrique. (Greca lê um trecho do artigo). Em nada o PFL me fustigou naquilo que eu penso. Não tive de abdicar das minhas convicções.
Folha - O senhor acha que o PFL vai cumprir tudo isso que o senhor escreveu?
Greca - Acho que, se não cumprir, perde a eleição. Todos os que se colocaram contra o povo, mais cedo ou mais tarde perderam a eleição.
Folha - Como o senhor avalia o Congresso?
Greca - É uma expressão da sociedade e tem de ser respeitado porque, por pior que seja, é válvula de liberdade do País. É uma válvula que não pode ser depreciada nem desmerecida.





