O projeto
Em sintese, o projeto de transposição do Rio São Francisco é o seguinte:
Prevê a retirada de 70 m3 de água do rio para destiná-lo ao abastecimento de 6 milhões de pessoas, equivalentes a 40% da população do semi-árido nordestino. Esta população está espalhada em aproximadamente 250 municípios de quatro estados: Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Cerca de 45% da população beneficiada está na área rural e 55% em áreas urbanas, e mais da metade das famílias da região tem renda anual abaixo de US$ 1.250,00.
O projeto custará de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão, de acordo com as estimativas, e deverá ser executado no prazo de 4 anos.
Na região a ser atendida pela transposição a probabilidade de ocorrer pelo menos uma seca com duração superior a dois anos, em cada 20 anos, é superior a 80%. Esta região está dentro da área conhecida como Polígono das Secas.
A água do São Francisco precisará ser bombeada a uma altura de 150 metros, para depois ser distribuída por gravidade para os destinos. Está sendo estudada uma tecnologia de túneis que poderá reduzir a altura do bombeamento e o custo do projeto.
O projeto na versão atual está dividido em dois ramais, formando seis trechos ao todo. O ramal principal começa com o trecho I, em Cabrobó (PE), onde haverá a primeira das três estações de bombeamento que elevarão a água a 150 metros, numa distância de 120 km. Em Salgueiro (PE) ocorre a primeira bifurcação, com parte da água desviando-se à esquerda para os açudes de Chapéu (PE) e Entremontes (PE), por canais artificiais que formam o trecho VI. O restante da água segue em frente, também por canais artificiais e por um túnel próximo à cidade de Jati (PB), onde deverá haver mais uma estação de bombeamento. Nesse ponto a água novamente se dividirá. Parte seguirá à direita pelo trecho II, alimentando os açudes de Piancó (PB) e ARG (RN) e o rio Piranhas-Açu (RN). A outra parte da água seguirá pelo rio Salgado, que será ligado artificialmente aos açude Orós (CE) e Castanhão (CE), que formam o trecho III. Nesta área haverá nova bifurcação, com outro canal artificial, que forma o trecho IVA, seguindo em direção ao Rio Grande do Norte, alimentando os açudes de Paus dos Ferros, Santa Cruz, e o rio Apodi.( Em uma versão alternativa, denominada trecho IVB, o abastecimento do açude Paus dos Ferros seria feito diretamente do rio Salgado, antes de se chegar a Orós). A outra parte da água continuará no Ceará, alimentando o Canal do Trabalhador, que atende Fortaleza.
O segundo ramal do projeto, que forma o trecho V, terá uma estação de bombeamento na represa de Itaparica (PE). Um canal artificial levará a água ao açude de Poço da Cruz (PE) e na altura da cidade de Sertânia jogará a água em rios locais que a conduzirão ao açude de Boqueirão (PB).





